
Doença: Mais de 4% da população mundial possui a Síndrome do Acumulador
Foto: Site Antroposimetrica
Há um ditado popular que diz ”quem muito quer, nada tem”e este é o problema dos portadores dessa doença que afeta mais de 4% de toda a população mundial, os chamados Acumuladores compulsivos. O acumulador acaba adquirindo objetos que não precisa para passar a imagem de riqueza estatus, mas a realidade é bem diferente do que se aparenta.
São pessoas que transformam suas casas em verdadeiros depósitos de lixo, juntando todo e qualquer tipo de entulho: garrafas, animais, papéis, aparelhos eletrônicos, maquiagens, revistas, roupas, produtos de limpeza, lado a lado com a comida da residência, lixo orgânico, dejetos, enfim, todo e qualquer tipo de entulho.
O termo patológico usado para a doença é Disposofobia. Este comportamento se manifesta geralmente em quem tem o famoso TOC (transtorno obsessivo compulsivo que consiste em repetir uma ação várias vezes) e pode vir associado à Depressão. A maioria dos estudos mostra que 24% dos portadores de TOC possuem a doença do Acumulador.
Para a pessoa portadora desta doença, acumular coisas se torna algo rotineiro e normal, pois cada objeto possui a sua utilidade. Além disso, há um apego emocional em relação aos bens adquiridos, o que pode resultar em uma falência financeira. O capitalismo coopera para a formação deste quadro clínico, já que sua base é o consumismo, estimulando os portadores da síndrome a se realizarem através da aquisição de coisas. É comum ainda o recolhimento de objetos nos lixos, o doente passa a acumular pequenas coisas jogadas fora por outras pessoas, por acreditarem que aquilo possa vir a ter uma utilidade.
Não acumule!
Um caso grave aconteceu no ano de 2003. O casal Linda Farve e Ernie Mills possuía ao total 300 gatos que não recebiam a devida higiene e cuidados necessários, o local era chamado deChubbers Animal Rescue. Sem falar na sujeira que os animais produziam espalhada pelo chão, no meio deste lixo ainda foram encontrados esqueletos de felinos. O casal foi condenado por crueldade contra os animais.
Outro caso ocorreu em março de 1947, quando a polícia de Nova Iorque foi chamada para verificar um cadáver que se encontrava no Harlem. O lugar estava infestado de lixo até o alto das paredes e pertencia aos irmãos Langley e Homer Collyer. Tamanha era a dificuldade de locomoção dentro do apartamento, que havia um sistema de túneis para se deslocarem em meio ao acumulo de objetos. No meio de tanto lixo, foram encontrados restos de um feto e o corpo dos idosos, um deles morreu esmagado pelo próprio lixo e o outro morreu de inanição.
Os casos foram retratados em um programa do Canal Discovery Home & Health, chamado “Acumuladores”. Além das histórias, a série ainda aborda como é realizado o tratamento, explorando os aspectos psicológicos sofridos pelo acumulador.
Acumulador x Colecionador
Foto: Site Brogui
O ato de acumular se distingue dohobbiede um colecionador comum. O colecionador adquire objetos apenas por diversão, por gostar de um determinado assunto.
O Acumulador se envergonha pelas coisas que junta, e seu intuito é adquiri-las visando seu bem estar. Seu ato ocasiona o afastamento de familiares e amigos, além do distanciamento do trabalho.
O Colecionador não precisa se afastar, pelo contrário, tem orgulho de suas coleções e faz questão de expor para as pessoas. Não há problema algum no ato de colecionar, desde que seu comportamento não se torne obsessivo.
O que acontece no cérebro?
O cérebro da pessoa portadora desta síndrome se diferencia ao de uma pessoa normal em seu córtex cerebral (responsável por distinguir o que está errado) e em sua insula anterior (ligada a avaliação dos riscos, tomada de decisões e estímulos).
A insula é interligada com a consciência da pessoa, do autocontrole e sua percepção do mundo. Quando essa parte do cérebro não funciona corretamente, o portador perde a percepção de que o que está fazendo consigo mesmo é errado, além de não conseguir tomar a decisão de abandonar seus objetos.
O Córtex é a parte em que se concentra todos os neurônios do corpo humano. O Acumulador não consegue tomar uma atitude em relação à sujeira.
Ao ser pressionado a se desfazer de algo, o acumulador tende a ficar indeciso e a não saber o que fazer com o lixo produzido. Assim, a pessoa opta por não tomar nenhuma decisão a correr o risco de jogar fora algum objeto que ele possa necessitar no futuro.
Como Identificar a Doença
Foto: Discovery
O primeiro sintoma dos portadores é o hábito de comprar compulsivamente sem haver realmente necessidade em suas compras. Além de levar à falência financeira, ainda ocasiona a quebra da união familiar, que começa a viver em condições precárias por conta do acumulador.
O consumo representa uma válvula de escape para seus problemas, com uma tendência a se fechar dentro de casa e a viver em seu próprio ”mundo’, fugindo da própria realidade.
Para identificar os sintomas, basta observar o estado emocional da pessoa. O doente apresenta fragilidade, insegurança, carência, ansiedade, medo, arrependimento, depressão e frustração, tudo em decorrência de algum fato ocorrido em seu passado.
Outro comportamento dos acumuladores é não se preocupar com a sujeira adquirida devido ao empilhamento de coisas pela casa, favorecendo a entrada de ratos, insetos e outras pragas, comprometendo a saúde dos moradores.
Há uma solução!
Para tratar o problema, é necessário o apoio absoluto de toda a família, já que a autoestima do portador está em níveis muito baixos. O consolo familiar pode ser essencial para uma boa recuperação.
A segunda medida é procurar um psicólogo especializado na síndrome. O truque é deixar o paciente escolher o que ele mesmo irá se desfazer, é um processo lento, mas recompensador para a família e para o próprio acumulador. Apesar da iniciativa, apenas 30% dos doentes conseguem fazer o tratamento e ao final obterem a cura.
A terapia é a chave para uma orientação correta nestes casos. É muito importante que os parentes não pressionem o paciente a agir, já que se trata de uma recuperação pessoal. O tempo varia para cada pessoa, a paciência e a dedicação são fatores determinantes para a cura.
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