EUA passam a classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas

Nova classificação amplia o alcance de sanções econômicas e preocupa autoridades brasileiras pelos possíveis reflexos na segurança e nas relações diplomáticas
04/06/2026 às 07h52
 - Atualizado há 3 meses
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Foto: Agencia BR

O governo dos Estados Unidos passa a classificar, a partir desta sexta-feira, 05, as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A medida foi anunciada pela gestão do presidente Donald Trump e gerou preocupação no governo brasileiro, que mantém conversas diplomáticas com autoridades americanas desde o anúncio. A avaliação é de que a decisão pode trazer impactos econômicos, jurídicos e de cooperação internacional no combate ao crime organizado.

Nos bastidores, integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentaram evitar a adoção da medida. O principal receio era que a nova classificação abrisse espaço para ações mais duras por parte dos Estados Unidos. Apesar disso, auxiliares do Planalto avaliam que não há, neste momento, risco concreto de operações militares americanas em território brasileiro. A expectativa é de que os primeiros efeitos sejam sentidos principalmente nas áreas econômica e financeira, sem consequências imediatas.

Especialistas apontam que bancos, empresas e instituições brasileiras com vínculos ao sistema financeiro dos Estados Unidos poderão enfrentar maior fiscalização. Caso investigações identifiquem movimentações financeiras ligadas às facções, empresas e instituições podem ser alvo de sanções e restrições. A nova classificação também permite que autoridades americanas ampliem o monitoramento de operações ligadas ao PCC e ao CV, incluindo eventual congelamento de bens sob jurisdição dos Estados Unidos e restrições migratórias para pessoas associadas aos grupos.

Embora a decisão não altere a legislação brasileira, que continua tratando PCC e Comando Vermelho como organizações criminosas, há preocupação com possíveis impactos na cooperação entre os dois países. Especialistas avaliam que o compartilhamento de informações entre órgãos de investigação poderá se tornar mais complexo, o que pode dificultar ações conjuntas de combate ao crime organizado. Além disso, a medida aumenta a pressão diplomática sobre temas relacionados à segurança pública e ao enfrentamento das facções no Brasil.

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