Estudantes brasileiras criam solução sustentável para combater incêndios florestais e disputam prêmio internacional

Produto desenvolvido por universitárias da PUC-PR combate o fogo sem agredir o meio ambiente e pode render investimento de US$ 1 milhão.
30/06/2026 às 15h24
 - Atualizado há 2 meses
Ag bra

Uma ideia nascida dentro de um laboratório universitário pode transformar o combate aos incêndios florestais no mundo. As estudantes de Biotecnologia Mariah Fraulo Cavalcante e Taciane Beatriz Ferreira, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), desenvolveram um retardante de chamas biodegradável que combate o fogo e ainda contribui para a recuperação do solo.

Batizado de BIODEFENSER®, o produto utiliza compostos naturais capazes de reduzir a propagação das chamas sem causar danos à fauna, à flora ou contaminar o meio ambiente, diferentemente dos retardantes químicos utilizados atualmente.

A inovação levou as universitárias a conquistarem as etapas regional e nacional do Hult Prize 2026, considerada a maior competição de empreendedorismo estudantil do mundo. Agora, elas representam o Brasil na fase internacional e disputam um investimento de US$ 1 milhão para transformar a pesquisa em uma startup.

O projeto surgiu a partir de uma inquietação pessoal de Mariah, que cresceu acompanhando o trabalho do pai na detecção de incêndios florestais.

“Eu sempre me perguntava por que conseguimos monitorar os incêndios, mas ainda utilizávamos produtos que também prejudicam o meio ambiente para combatê-los”, conta.

Os primeiros testes laboratoriais comprovaram a eficácia da tecnologia, que conseguiu extinguir as chamas em ambiente controlado. A próxima etapa será a realização de testes em campo, em parceria com instituições como a Embrapa e universidades.

Além de combater o fogo, o BIODEFENSER® cria uma película bioativa sobre o solo, dificultando novos focos de incêndio e favorecendo a recuperação ambiental, podendo inclusive atuar como fertilizante natural.

Segundo dados internacionais, somente em 2024 os incêndios florestais emitiram 8,6 bilhões de toneladas de dióxido de carbono e provocaram prejuízos superiores a US$ 250 bilhões, reforçando a importância de soluções sustentáveis para enfrentar o problema.

Enquanto aguardam o resultado da competição internacional, previsto para setembro, as pesquisadoras também iniciam o processo de patenteamento da tecnologia e buscam investidores para levar a inovação ao mercado.

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