
Motoristas do transporte escolar rural ameaçam greve em Uberaba por atrasos e condições de trabalho

Motoristas do transporte escolar rural de Uberaba ameaçam paralisar as atividades a partir de sexta-feira (18), em meio a denúncias de atrasos nos pagamentos, cortes na quilometragem e falta de condições adequadas de trabalho. Apesar do indicativo de greve, a Prefeitura e a cooperativa responsável pelo serviço garantem que o atendimento aos estudantes será mantido.
A possibilidade de paralisação foi reforçada em entrevista ao Jornal da Rede por um representante da categoria, Afonso Monteiro de Souza Filho. Segundo ele, a decisão surgiu após sucessivas dificuldades enfrentadas pelos motoristas, que alegam não receber pelos serviços prestados desde fevereiro. “Decidimos emitir essa carta aberta devido às difíceis condições de trabalho. A situação atual dificulta a manutenção do serviço”, afirmou.
De acordo com o representante, o modelo de pagamento, que pode levar até 30 dias após a emissão da nota fiscal, tem gerado desequilíbrio financeiro para os profissionais.
Além dos atrasos, os motoristas apontam outras reivindicações, como reajuste no valor pago por quilômetro rodado. “O que nos resta, após encargos e impostos, é insuficiente. Em outras cidades, o valor é maior”, destacou Afonso. Ele também relatou incerteza sobre os valores a receber e cortes na quilometragem sem explicações claras.
Em carta aberta encaminhada à imprensa, à Prefeitura e à cooperativa Ubervan, os profissionais também citam problemas estruturais, como falta de locais adequados para alimentação e descanso, permanência prolongada dentro dos veículos e ausência de reembolso de pedágios em algumas rotas.
Procurado, o presidente da Ubervan, Paulo Henrique Lima, reconheceu parte das demandas e afirmou que elas já foram formalizadas junto ao município. Segundo ele, um ofício foi enviado há cerca de 30 dias, sem retorno até o momento.
Lima explicou que os atrasos estão relacionados a processos de conferência dos boletins de serviço e validação das rotas. “Em alguns casos, houve falha de rastreador, mas temos como comprovar que o serviço foi prestado”, disse. Ele também destacou que a cooperativa solicitou melhorias nas condições de trabalho, como acesso a banheiros e espaços para alimentação.
Apesar do cenário, o presidente da Ubervan pondera que não há confirmação de adesão total à paralisação. “Acredito que possa ser um grupo menor de cooperados”, afirmou.
Em nota, a Secretaria Municipal de Educação informou que se reuniu com a cooperativa e garantiu que nenhum aluno será prejudicado. Segundo a pasta, o contrato será cumprido integralmente e a organização logística dos motoristas é responsabilidade da própria Ubervan.
A secretaria também declarou que a paralisação não teria amparo legal, já que, por se tratar de cooperativa, não há vínculo empregatício que caracterize greve. Ainda segundo o órgão, uma eventual interrupção pode ser enquadrada como lockout, prática proibida pela legislação.
Enquanto isso, motoristas afirmam que seguem aguardando respostas concretas. “Não queremos prejudicar ninguém, mas somos pais de família. Não dá para assumir dívidas sem saber quando vamos receber”, concluiu Afonso.
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