
ONU classifica violência contra a mulher como emergência global

A Organização das Nações Unidas(ONU) afirmou nesta sexta-feira, 27, durante sessão do Conselho de Direitos Humanos em Genebra, que a violência contra a mulher se tornou uma emergência global. O alerta foi feito pelo alto comissário para os Direitos Humanos, Volker Türk, ao destacar que cerca de 50 mil mulheres e meninas foram assassinadas em 2024 no mundo, a maioria morta por familiares ou parceiros íntimos. Segundo a ONU, o cenário exige ação imediata dos governos para fortalecer a proteção e garantir responsabilização dos agressores.
O levantamento reforça que os feminicídios continuam sendo uma das formas mais graves de violência de gênero. Em muitos casos, os crimes acontecem dentro de casa, cometidos por pessoas próximas às vítimas, o que evidencia a vulnerabilidade enfrentada por mulheres e meninas.
Durante o pronunciamento, o representante da ONU também citou situações que ganharam repercussão internacional e expuseram redes de exploração e abuso, como os crimes ligados ao financista norte-americano Jeffrey Epstein e o caso da francesa Gisèle Pelicot, vítima de violência organizada pelo próprio ex-marido. Para a entidade, episódios como esses revelam falhas estruturais que permitem abusos prolongados e dificultam a denúncia.
A ONU ainda demonstrou preocupação com a realidade de países onde direitos femininos vêm sendo restringidos. O Afeganistão, sob controle do Talibã desde 2021, foi mencionado como exemplo de retrocesso, com políticas que impõem forte segregação às mulheres e limitam sua participação na vida pública.
Outro ponto destacado é o aumento de ataques virtuais contra mulheres em posições de liderança. Segundo o relatório, parlamentares, ministras e outras autoridades relatam episódios frequentes de misoginia e discurso de ódio nas redes sociais, o que impacta diretamente a participação feminina na política.
Diante do cenário, a ONU reforça que os Estados precisam investigar denúncias com rigor, garantir proteção às vítimas e assegurar julgamentos justos. A entidade também defende políticas públicas de prevenção, educação e enfrentamento à desigualdade de gênero como caminhos essenciais para reduzir a violência.
O alerta internacional reacende o debate sobre a urgência de medidas concretas para conter os feminicídios e ampliar a segurança das mulheres em todo o mundo.
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