Milho dispara, ultrapassa R$ 4 bilhões e consolida novo ciclo de expansão

Regiões do interior puxam alta de 26% no valor da produção em 2025
16/02/2026 às 16h04
 - Atualizado há 7 meses
Agro milho
Produção do milho paulista apresentou um crescimento considerável na safra 2024/25, com progressão de 14,30% no volume cultivado Foto: Agência SP

O milho vive um novo momento de protagonismo no campo paulista. Em 2025, o Valor da Produção Agropecuária (VPA) do grão superou R$ 4 bilhões, registrando crescimento de 26,24% em relação ao ano anterior. Os dados são de estimativa preliminar do Instituto de Economia Agricola, ligado à APTA.

Além da alta no valor gerado, a safra 2024/25 também apresentou avanço no volume produzido, com aumento de 14,30%. O desempenho colocou o milho entre os dez principais produtos cultivados no estado.

Interior lidera produção

Cinco regiões concentram mais de 58% do cultivo: Itapeva, Assis, Ourinhos, São João da Boa Vista e Presidente Prudente. Entre elas, Assis ocupa posição estratégica.

Segundo o engenheiro agrônomo Sandro Lemos Parise, da Coordenadoria de Assistencia Tecnica Integral, a região é considerada o berço do milho safrinha — sistema predominante no estado e no país. “As primeiras pesquisas começaram no início da década de 90, quando houve redução do plantio de trigo após a expansão da soja”, explica.

Para o secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho, o crescimento reforça a força do agro paulista. “Investimos em pesquisa e extensão rural para fortalecer uma cultura vital para o mundo todo”, afirmou.

Demanda e solo fortalecidos

O diretor da Associacao Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo, Bernhard Kiep, destaca que o estado ainda tem espaço para ampliar a produção. Ele lembra que o milho contribui para a qualidade do solo, graças à palhada e ao material orgânico deixado após a colheita, além de atender à crescente demanda das cadeias de suínos, bovinos e aves. “O potencial é grande e pode ser melhor explorado”, reforça.

Tecnologia no campo

Para sustentar o avanço, a Secretaria de Agricultura desenvolve o programa Milho+SP, coordenado pela CATI. A iniciativa aposta em duas frentes: incentivar o plantio na reforma de pastagens e aumentar a produtividade em áreas já cultivadas, por meio de transferência de tecnologia e melhoria no manejo.

O programa conta com unidades demonstrativas espalhadas pelo estado, além de palestras, vitrines tecnológicas e dias de campo.

Outra frente estratégica vem da pesquisa. O Instituto Agronomico de Campinas lançou, em dezembro de 2025, dois novos híbridos de milho branco — IAC 2027 e IAC 2039 — voltados ao mercado de canjica e farinha branca, especialmente forte no sudoeste paulista. A aposta atende à demanda por cultivares convencionais (não transgênicas), destinadas a nichos como milho-verde, pipoca e milho branco para alimentação humana.

A pesquisadora Maria Elisa Zagatto, do IAC, afirma que o uso dos novos híbridos representa inovação para o setor e pode ampliar a competitividade do estado.

Com alta no valor gerado, expansão da produção e investimento em tecnologia, o milho confirma seu peso estratégico na economia agrícola paulista e sinaliza que o crescimento ainda pode ir além.

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