Exportações de algodão devem ganhar força em 2026 e manter Brasil competitivo no mercado global

Projeção da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão indica embarques acima de 3,2 milhões de toneladas no ano
19/02/2026 às 16h32
 - Atualizado há 8 meses
Algodão

O Brasil se prepara para um 2026 promissor nas exportações de algodão. A expectativa é que os embarques somem 1,575 milhão de toneladas no primeiro semestre e 1,650 milhão no segundo, superando 3,2 milhões de toneladas ao longo do ano. A projeção foi divulgada pela Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), durante a primeira reunião bimestral do ano.

Em 2025, o país exportou 3,027 milhões de toneladas, sendo 1,495 milhão no primeiro semestre e 1,532 milhão no segundo. O consumo doméstico foi estimado em 730 mil toneladas.

Segundo a Anea, o país possui capacidade portuária suficiente para sustentar os volumes projetados, especialmente a partir de julho, quando o Brasil ganha competitividade por estar em período de safra no Hemisfério Sul. Apesar de gargalos pontuais, como desafios operacionais no Porto de Santos, a avaliação é de que há condições logísticas para ampliar os embarques no segundo semestre.

Safra recorde e ajuste na produção

A safra 2024/2025 foi encerrada com 4,26 milhões de toneladas, o maior volume da história recente, em linha com os números da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).

Para o ciclo 2025/2026, a projeção é de 3,873 milhões de toneladas, uma redução de cerca de 9%. O recuo é atribuído ao ambiente de preços mais baixos, margens menores para o produtor, estágio final do plantio e preocupações climáticas, especialmente o excesso de chuvas no Mato Grosso.

Estoques e demanda

O estoque de passagem fechou dezembro de 2025 em 2,899 milhões de toneladas, volume 21% superior ao do ano anterior. Para dezembro de 2026, a estimativa é de 2,817 milhões de toneladas.

De acordo com o presidente da Anea, Dawid Wajs, o aumento dos estoques é reflexo do crescimento da safra e não indica enfraquecimento estrutural da demanda. “No primeiro semestre, o Brasil normalmente perde um pouco de competitividade para a safra do Hemisfério Norte. Ainda assim, registramos leve incremento nas exportações em relação ao ciclo anterior”, afirmou.

O consumo interno deve permanecer em 730 mil toneladas em 2026. Entretanto, produtores e indústria têxtil, representados pela Abrapa e pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), trabalham para ampliar a agregação de valor no país, com meta de atingir 1 milhão de toneladas no curto e médio prazo.

Missão estratégica à Índia

A Anea participa, até o dia 28 de fevereiro, da missão do programa Cotton Brazil à Índia, em sincronia com a agenda oficial da Presidência da República. A comitiva inclui produtores e exportadores e prevê visitas a fiações locais, além do evento Cotton Brazil Outlook Índia.

Na temporada 2024/25, a Índia foi um dos principais destinos do algodão brasileiro, alcançando 24% de participação nas importações da indústria indiana — ante 4% no ciclo anterior. O avanço foi impulsionado por ações de promoção internacional e por política tarifária especial que isentou o imposto de importação até 31 de dezembro de 2025.

Com capacidade logística, estoques robustos e presença estratégica nos principais mercados consumidores, o Brasil inicia 2026 consolidado como um dos protagonistas globais do algodão.

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