
Audiência pública discute futuro da Francana e falta de transparência na gestão do clube

Na noite desta segunda-feira, 30, foi realizada a primeira audiência pública com o objetivo de discutir o futuro da Associação Atlética Francana. O encontro, promovido na Câmara Municipal de Franca, reuniu autoridades, torcedores e ex-dirigentes do clube, além de levantar questionamentos sobre a gestão atual, presidida há quatro anos por Rafael Diniz.
Durante a audiência, o presidente do Conselho Deliberativo do clube, Milton Martins, afirmou que desde que Diniz assumiu a presidência, não houve nenhuma prestação oficial de contas ao conselho. A falta de transparência foi um dos pontos centrais da reunião e motivou a renúncia de Anderson Silva, ex-presidente da Francana por seis anos e, até o ano passado, diretor financeiro da atual gestão.
“Eu fazia parte dessa diretoria e, por uma segurança jurídica da minha parte, tive que renunciar ao cargo em janeiro do ano passado. O estatuto exige de duas a três prestações de contas por ano. Eu insisti com o presidente para que isso fosse feito e me coloquei à disposição para ajudar. Foi essa ausência de prestação de contas que me levou a deixar o cargo. Existe uma responsabilidade jurídica para quem não cumpre isso”, explicou Anderson, que apresentou os balanços fiscais referentes ao período em que presidiu a Francana.
O presidente do conselho também relatou que o escritório de contabilidade contratado pelo clube deixou de atuar devido à falta de acesso aos documentos necessários para o trabalho.
Questionado sobre as críticas, Rafael Diniz justificou que a cobrança foi feita de maneira inadequada. “A gente ganhou o acesso para a série A3 no final de semana. E logo no início da semana, o Milton gravou um vídeo com o Marcos Silva, durante um programa esportivo, dizendo que se eu não prestasse contas, seria afastado das minhas funções. Achei um momento inoportuno, não gostei da conduta e, por isso, optei por não apresentar os documentos naquele momento”, disse o presidente da Francana.
Apesar das divergências, Milton reforçou que o Conselho sempre apoiou a gestão de Rafael, mas ressaltou que as obrigações estatutárias não podem ser ignoradas: “A diretoria tem obrigações constantes no estatuto que precisam ser cumpridas.”
Além das questões administrativas, a audiência pública também abordou os prós e contras da possível transformação da Francana em Sociedade Anônima do Futebol (SAF). O tema foi apresentado ao público como uma das alternativas para garantir a sustentabilidade e o crescimento do clube.
Participaram da audiência o técnico Wantuil Rodrigues, o vereador Fransérgio Garcia, autor do requerimento para a realização do evento, e representantes da comunidade esportiva local.
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