Millôr Fernandes é o homenageado da 12ª edição da Flip

"Se é gostoso faz logo, amanhã pode ser ilegal"; "Inúmeros artistas contemporâneos não são artistas e, olhando bem, nem são contemporâneos" ou mesmo "O Brasil é realmente muito amplo e luxuoso. O serviço é que é péssimo", são exemplos de algumas das incon
31/07/2014 às 00h00
 - Atualizado há 12 anos

“Se é gostoso faz logo, amanhã pode ser ilegal”; “Inúmeros artistas contemporâneos não são artistas e, olhando bem, nem são contemporâneos” ou mesmo “O Brasil é realmente muito amplo e luxuoso. O serviço é que é péssimo”, são exemplos de algumas das incontáveis frases irreverentes e sempre atuais do homenageado da 12ª edição da Feira Literária Internacional de Paraty (Flip) que começou ontem (30) na cidade do litoral fluminense.

Cidade foi decorada com referências o autor/ Foto: Reprodução

Tradutor de outros gênios da literatura, como Shakespeare e Ibsen, cartunista, jornalista, teatrólogo, romancista, roteirista, e, sobretudo, um defensor bem-humorado da liberdade de expressão, Millôr Fernandes, que morreu em 2012, e suas múltiplas facetas serão relembradas e celebradas em atividades ao longo dos cinco dias de evento que termina domingo (03).

O curador da Flip, Paulo Werneck, explicou que a escolha por Millôr, diante de uma lista de possibilidades de homenageados, se deu após conversas com vários participantes e parceiros do evento em anos anteriores. “Cada vez que aparecia o nome dele, os olhinhos das pessoas brilhavam e percebemos que havia algo de muito caloroso e que poderia ser uma homenagem diferente”, disse ele. As homenagens vão de mesas de debate, peças teatrais e lançamento de livros a filmes roteirizados por ele.

Na conferência de abertura, às 19h, o crítico de arte Agnaldo Farias vai destacar o valor da obra de Millôr para a arte brasileira. Em seguida, os humoristas Reinaldo Batista e Hubert Aranha, da trupe “Casseta e Planeta”, conversam com o cartunista Jaguar, amigo pessoal e parceiro de Millôr em empreitadas jornalísticas, comoO Pasquim, jornal combatente em plena ditadura militar.

Na sexta-feira (1º) às 10h, o caricaturista Loredano, o jornalista de cultura Sérgio Augusto e o cartunista Claudius compõem a mesa “O Guru do Méier”, um dos apelidos do homenageado, que nasceu neste bairro da zona norte do Rio de Janeiro. Às 11h, alunos da oficina de teatro da Casa da Cultura, que organiza uma série de eventos paralelos à Flip farão uma leitura dramatizada da obra do homenageado.

Millôr também influenciou na escolha dos temas centrais das mesas de discussão da Flip, norteadas pela crítica ao poder, pelo humor e jornalismo.

No sábado (02), a mesa Liberdade Liberdade terá os jornalistas norte-americanos Charles Ferguson e Glenn Greenwald. Ferguson fez um documentário sobre crise financeira de 2008, que virou livro (Trabalho Interno) e Greenwald ficou famoso mundialmente após revelar as denúncias feitas pelo norte-americano Edward Snowden sobre a espionagem de cidadãos e países feita pelos Estados Unidos pela internet.

Mais tarde, os jornalistas David Carr e Graciela Mochkofsky falam das relações entre a imprensa, chamada de quarto poder, e a política oficial, na mesa “Narradores do Poder”.

Crianças e adolescentes também vão conhecer e desfrutar da obra e da personalidade do jornalista nos circuitos paralelos Flipinha e Flipzona. No circuitooffFlip, haverá ainda a exibição do filmeO Judeu, de Jom Tob Azulay, com roteiro de Millôr, fechando as homenagens no domingo (03) à tarde.

As mesas oficiais da Flip podem ser assistidas ao vivo pela internet nositeda Flip.

Fonte:Agência Brasil

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