
Religião x temas polêmicos: a visão do espiritismo
O Pop Mundi está preparando uma série de reportagens sobre religião e temas polêmicos. Na primeira entrevista da série, a espírita Rosinha Aylon, diretora do Berçário Dona Nina, ofereceu uma visão comum da maioria dos espíritas sobre temas como aborto, drogas, homossexualidade, violência, gravidez na adolescência e suicídio. Rosinha realiza diversos trabalhos sociais e voluntários: Confira:
Aborto
Pop Mundi:Como o espiritismo vê a questão do aborto?
Rosinha Aylon:Primeiramente, a minha visão pode não ser a mesma da doutrina espírita, assim como de alguns irmãos, mas o aborto é contra a vida em qualquer hipótese e todos nós temos direito a vida. Em quaisquer circunstâncias que venha a ter uma gravidez, se não quer a criança, doe, há muitos que querem ou estão na fila de espera para adoção. Esse ato que para mim é um crime. É necessário deixar que tenha vida, porque deus nos deu a vida para construir e não para o contrário. Portanto, eu sou contra, assim como acredito que todos os espíritas são. Preservamos a vida, queremos a vida para dar continuidade na evolução do nosso templo. E, todos nós vamos ser cobrados.
Tudo que fazemos de errado na justiça terrena terá uma cobrança. Não é que Deus castiga, pelo contrário, ele é o pai que nos dá oportunidade. Então antes de qualquer ato, é importante pensarmos que vamos ter que entregá-lo a Deus.
Drogas
Pop:E a questão das drogas na atualidade?
Rosinha:Hoje, os jovens são levados a experimentar as drogas por curiosidade, muitas vezes incentivados pelos amigos, achando que podem parar a qualquer tempo, o que não é verdade. A sensação que a droga oferece é cada vez mais tentadora ao uso,deixando-os escravos. Além da dependência, os usuários perdem amor a vida e a noção de quem eles são. A droga faz com que o ser humano fique alheio a tudo. Alheio a higiene, responsabilidade, a família, etc. Não é a arma não é a guerra que esta destruindo o mundo é a droga.
Já trabalhei com jovens, por que gosto muito, e com dependentes também e eu sempre dizia: filho, se você quer ter uma vida, quer construir uma família, a droga não te permitirá isso, até porque você dificilmente vai passar dos 40 anos. Então pensa bem antes de você da continuidade, porque dentro da sua família há pessoas que estão sofrendo e você não enxerga. Então que possam perceber que existe uma força maior, que é Deus, que nos ama que nos dá sempre oportunidade de transformar a vida. E no que diz respeito aos jovens, há tanto para se viver e construir. Por outro lado, os pais devem também orientar seus filhos e participar mais da vida deles. Muitas vezes, eles apenas desconfiam de algo e esperam até se manifestar, e talvez já seja tarde. Então, antes que fique complicado, procurar ajuda é essencial. Hoje há ajuda por todos os cantos é só querer e ter força, porque vai doer, mas evitará que choros e lamentações sejam os sentimentos no futuro.
Homossexualidade
Pop:Algumas religiões pregam que isto não é “coisa de Deus”. Como o espiritismo vê a homossexualidade?
Rosinha:Todos nós somos filhos de Deus. É uma opção sexual, se a pessoa tem uma aptidão para aquilo, porque e para que iremos contra? Isso fará a pessoa se afastar da família, algo que o espiritismo preserva muito.
Cada um tem a sua maneira de expressar, de querer. Não posso querer, por exemplo, que meu filho seja um médico se ele tem aptidão para ser advogado, ou um bom lavrador, lixeiro, não importa qual seja a profissão. Mas o que importa é que se respeite a maneira de ser de cada um. E nosso pai celestial nos respeita e nós dá livre arbítrio. Portanto, cabe a nós fazer o bem sem machucar outras pessoas.
Violência
Pop:A violência é vista de que forma?
Rosinha:Jesus, desde que veio aqui para a nossa terra, ele conviveu com muita violência, tanto é que foi a violência que o levou. Jesus prega sempre o amor, porque violência gera violência.
No espiritismo pregamos sempre família, educação na família para fortalecer laços, ter mais conversa, instrução e observar mais o que e como o outro está fazendo. Se o filho chega com algo diferente em casa e os pais sabem que o filho não tinha condição de comprar, procure saber de onde veio. Mas antes mesmo de toda e qualquer suspeita, os pais devem notar o próprio exemplo. Conviver com pai que bate em mãe, mãe que sai de casa, não para trabalhar, mas sim para usar drogas, deixando os filhos a “deus dará” gera violência.
Eu faço uma sopa no aeroporto e converso bastante com as mulheres, sempre orientando elas sobre o marido que tem problema com bebida alcoólica ou outras drogas. Falo: quando o homem chegar alcoolizado, vai arrumar uma cozinha, sai de perto, não fica cobrando por que chegou tarde ou bêbado senão vai dar confusão.
E é assim porque amanhã o álcool acaba, mas a dor fica na pessoa agredida. Então isso vai gerando violência por que ela ficará com o coração machucado e um dia ela pode desequilibrar e acontecer uma asneira. Então temos que evitar e tirar essa violência, com mais educação, amor, mais respeito ao nosso próximo que é aquele que está no mesmo lar.
Gravidez na adolescência
Pop:A gravidez na adolescência é orientada de que forma pelo espiritismo? Vocês acreditam que a educação sexual tem que partir de casa?
Rosinha:A maternidade deve ser responsável em todos os aspectos e em qualquer idade. Os adolescentes bombardeados pela mídia que os incita a determinados comportamentos, ao consumismo e etc. E a iniciação sexual está cada vez mais precoce, apenas pelo prazer, sem pensar nas consequências.
Hoje a mídia, seja ela escrita ou falada está informando tudo sobre a adolescência, como deve ser, o que pode e que não pode ser feito. Psicólogos estão aí em todos os hospitais e postos públicos, grupos de apoio também e tudo mais. Porém, a melhor orientação que é a da família ainda é falha.
Muitas jovens que conheço e que estão nesta situação se queixam da falta de orientação em casa e realmente existe um tabu muito grande em relação a isso, onde a mãe tem vergonha de falar certas coisas com a filha adolescente, e isso tem que acabar. Conversar, pai com o filho, mãe com a filha, mostrando que hoje há maneiras de se prevenir, tanto de uma gravidez, quanto de doenças. Que o ato pode ter uma consequência.
Quando há uma gravidez na adolescência todos os envolvidos de alguma maneira são responsáveis. Então, cabe aos pais orientar mais dentro do lar e fora dele contar com a escola. Ter a educação sexual mais frequente, para quebrar essa barreira de que educação sexual é falar sobre relacionamento, o que pode o que não pode como deve ser feito. É para precaver, para dizer que o sexo é muito bom quando você faz com a pessoa que você ama, saber o respeito, saber a dignidade, com honestidade e amor um ao outro.
Suicídio
Pop:Como o espiritismo interpreta este ato contra a vida, que está cada vez mais frequente?
Rosinha:Todos que eu converso quando faço atendimento fraterno, tenho percebido que muitos em qualquer idade (estou com jovens de 12, tenho com 40, senhoras de 80 anos) que estão desiludidos, decepcionados e não encontram a quem conversar naquele momento difícil. Às vezes até tentam ligar para alguém e a pessoa não pode, esta ocupada e inventa um monte de desculpas e aquilo vai ficando na pessoa, fazendo com que ela se sinta ainda mais desprezada. Quando a pessoa diz que esta com depressão, ajude, pois a consequência disso pode ser devastadora.
Converse, diga que ele é importante, que a vida é importante e que cabe ao nosso criador nos dar a vida e retirar no momento certo. É importante que tivesse também mais grupos, mais psicólogos voluntários para estarem atendendo estas pessoas. Além disso, o acompanhamento é necessário. Há alguns psicólogos que atendem duas ou três vezes e interrompem o tratamento, não é assim, tem que acompanhar.
Aqueles que estão necessitando falar, que estão depressivos eu sempre digo: “Pode ligar para mim a qualquer hora”. Porque não podemos ter hora para falar. Não temos hora para ficarmos doentes. Então aquele momento que você esta precisando, procure alguém, exponha. Eu acho que valeria muito, não teria tanto suicídio como esta tendo.
Tentar entender é essencial. Às vezes o outro já bloqueia a pessoa julgando-a: “Nossa, aquele ali é depressivo, ele está com depressão”, diz. Sim, está, mas procure saber por que, o que está por trás disso, qual é a magoa. Conversa, porque às vezes o que está tão grande e impossível para ele, é tão pouco para você, por que a pessoa depressiva começa a alimentar tanto aquele problema que ocupa muito no coração e na mente e às vezes é tão pequenininho. Portanto, oriente mostrando um caminho, pois a maior solução para a vida é viver.
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