Refugiados nucleares de Fukushima vivem no limbo

Casal de Fukushima/ Foto: ReproduçãoTodos os meses, Hiroko Watabe, 74, regressa desafiadoramente por algumas horas à sua casa abandonada, perto da destruída usina nuclear de Fukushima. Usando máscara cirúrgica, com dois medidores de radiação pendurados
15/10/2013 às 00h00
 - Atualizado há 12 anos

Casal de Fukushima/ Foto: ReproduçãoTodos os meses, Hiroko Watabe, 74, regressa desafiadoramente por algumas horas à sua casa abandonada, perto da destruída usina nuclear de Fukushima. Usando máscara cirúrgica, com dois medidores de radiação pendurados no pescoço, ela se abaixa para arrancar as ervas daninhas.

Watabe mantém o quintal limpo para provar que não desistiu da sua casa, desocupada há dois anos, depois que um terremoto de magnitude 9 e um tsunami devastaram a usina, a 8 km de distância. Nem todos os vizinhos assumem o mesmo risco. Casas outrora bem-cuidadas agora têm as portas bloqueadas pelo mato que chega à altura do peito.

“No meu coração, sei que nunca mais poderemos morar aqui”, disse Watabe, que veio de carro com seu marido numa viagem de uma hora a partir de Koriyama, cidade onde vivem desde o desastre. “Mas fazer isso nos dá um propósito. Estamos dizendo que esta ainda é a nossa casa.”

Em meio aos frequentes relatos sobre o desastre ambiental na usina Fukushima Daiichi -onde centenas de toneladas de água contaminada continuam vazando para o oceano Pacífico e onde foi noticiado, em 7 de outubro, que uma bomba usada para resfriar um dos reatores danificados havia parado, possivelmente por falha do operador-, uma crise humanitária vem acontecendo. Os quase 83 mil desabrigados nucleares das áreas mais atingidas ainda não podem voltar para casa.

Alguns relutantemente decidiram morar em outros lugares, mas dezenas de milhares estão em um limbo jurídico e emocional, enquanto o governo mantém as esperanças de que eles possam um dia voltar.

À medida que esperam, muitos vão ficando amargurados. A maioria apoia o objetivo de descontaminar as cidades para que as pessoas possam voltar a casas que, no caso de algumas famílias, são habitadas há gerações. Agora esses moradores suspeitam que o governo já saiba que a limpeza levará anos ou mesmo décadas a mais do que o prometido, conforme alertam especialistas, mas que não admita isso por medo de inviabilizar o plano de religar outras usinas nucleares do Japão.

Fonte: Folha/uol

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