
Fim da greve: bancos já funcionam normalmente em Franca
Nesta segunda-feira (14), todos os bancos de Franca e região voltaram a funcionar normalmente, após paralisação de 23 dias. A greve foi encerrada na última sexta-feira (11), quando a maioria dos bancários aceitou o acordo de reajuste salarial.
Segundo a proposta, haverá aumento de 8% no salário da classe, sendo de 1,82% o ganho real (acima da inflação). Já o piso será reajustado em 8,5% (2,29%). Os valores foram decididos na assembleia geral do Comando Nacional dos Bancários e da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) que ocorreu em São Paulo, na quinta-feira (10).
De acordo com o secretário de imprensa e comunicação social do Sindicato dos Bancários de Franca e Região, Rogério Marques, o acordo final só foi decidido após uma terceira rodada de negociações. “Os bancos começaram oferecendo 6% de reajuste, enquanto os funcionários pediam 11,93%. Eles conseguiram, ainda, que o valor da parcela na participação sobre lucros e resultados (PRL) também receba um aumento de 10%”, disse ele.
Os bancários de instituições privadas ganharam o direito de ter uma falta abonada por ano (sem desconto no salário), e ficou proibido acioná-los a qualquer momento para cobrar metas. Em futuro acordo, os horários deverão ser determinados.
O encerramento da greve na região de Franca foi acordado em assembleia local, na qual 95% dos presentes votaram pela aceitação da proposta oferecida pelos bancos, enquanto 5% se abstiveram.
O tempo de greve não será descontado, mas os funcionários deverão trabalhar uma hora a mais por dia, até 15 de dezembro, para compensar os dias perdidos.
Consequências da greve
Os cidadãos sentiram os efeitos da greve prolongada. Para aqueles que ficaram desempregados, não foi possível fazer o cartão cidadão – indispensável para solicitar o seguro-desemprego – ou retirar o FGTS, ambos os serviços realizados apenas pela Caixa Econômica Federal. Edna Calisto, desempregada, explicou que não conseguiu fazer nada: “Precisava fazer o cartão cidadão e não consegui. Já estava ficando desesperada. Era para ter recebido dia nove”, disse ela.
A ansiedade para receber fez com que Edna estivesse na porta da agência federal desde as 8h. Sobre as contas atrasadas e juros que serão cobrados, ela foi taxativa. “O prejuízo é só nosso mesmo!”, acrescentou.
Hoje pela manhã poucas pessoas sabiam os motivos da greve. O aposentado José Alves da Costa disse que a questão era salarial, e mesmo assim não se sentiu prejudicado pela paralisação. “Consegui receber a aposentadoria pelas lotéricas. Vejo que o trabalhador tem que lutar pelos direitos dele”, disse ele.
Já Luciano da Silva, que trabalha em uma funerária, foi na agência durante a grave para fazer o cartão cidadão e não conseguiu. Ao questionar o motivo, ficou surpreso com a resposta. “Fui questionar os funcionários sobre a paralisação, eles não souberam me explicar”, salientou Luciano.
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