“O surdo é um estrangeiro em seu próprio país”, diz interprete de Libras

De acordo com quem vive esta realidade a comunicação entre deficientes auditivos e ouvintes ainda tem que avançar Segundo dados do IBGE, o Brasil possui aproximadamente 10 milhões de pessoas com deficiência auditiva, sendo que cerca de 170 mil são total
27/09/2013 às 00h00
 - Atualizado há 13 anos

De acordo com quem vive esta realidade a comunicação entre deficientes auditivos e ouvintes ainda tem que avançar

Segundo dados do IBGE, o Brasil possui aproximadamente 10 milhões de pessoas com deficiência auditiva, sendo que cerca de 170 mil são totalmente incapazes de ouvir. Esse número é bastante significante. Mas, será que as empresas de frequência social como um todo estão preparadas para atender o deficiente auditivo? De acordo com a pedagoga especializada em deficiência auditiva, Tida Campanella, alguns passos já foram dados. “Não vou dizer que esta pronto e que é o que almejamos, mas vemos não só o surdo, mas diversos deficientes trabalhando, isto é já um passo significativo para a inclusão”.

Interprete de libras, Língua Brasileira de Sinais, Tida acompanha de perto os desafios e conquistas deste universo. Além de estar ao lado de alguns alunos deficientes auditivos na escolas, a pedagoga é casada há 33 anos com um deficiente auditivo e tem também um neto de 12 anos que nasceu com a dificuldade. Com implante coclear, o neto Gabriel, leva uma vida totalmente normal. “Ele está no 7° ano escolar com bom desempenho, acompanha normalmente junto com os outros colegas, é uma vida natural”, comenta ela. Porém, está não é a realidade de todos que nascem com a deficiência.

Para se comunicar, o deficiente auditivo usa a língua dos sinais, ou seja, a libras e apesar de quase todos serem alfabetizados a comunicação através da segunda língua brasileira ainda é dificultada. “Costumo dizer que o surdo é um estrangeiro em seu próprio país. Assim como os locais públicos informam na língua local e em inglês, acredito que em libras deveria ser assim também”, pontua a interprete.

Com direito a vida social, assim como qualquer outro ser humano, o deficiente auditivo muitas vezes sente dificuldades para realizar tarefas simples, como ir ao banco, hospital supermercado ou por outro lado, até se divertir. “Nas grandes capitais a presença de um interprete em locais públicos está começando a ser realidade, mas ainda sim, o deficiente auditivo vai a um local público, importante, e essa pessoa não está lá para ajuda-lo”, observa Tida.

Nesta semana a Comunidade Surda comemorou o Dia do Surdo, celebrando diversas conquistas e lutas já alcançadas e o que se viu em todos os movimentos públicos em prol deste deficiente foi a importância da inclusão social, não só trabalhista, mas também linguística e social como um todo. Para a interprete que vive também essa realidade, apesar de ser ouvinte, este sonho é possível. “Na época em que comecei meu contato com libras, através do meu marido, nós tirávamos xerox. Hoje a internet é uma ferramenta muito ampla, vídeo-aulas, cursos online são acessíveis a todos então, acredito ser possível e considero muito importante”.

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