
Regularização ambiental transforma propriedades rurais e fortalece produção sustentável em São Paulo

A regularização ambiental tem se consolidado como uma ferramenta estratégica para o desenvolvimento do agronegócio paulista. Referência nacional na implementação do Código Florestal Brasileiro, São Paulo já contabiliza mais de 200 mil Cadastros Ambientais Rurais (CARs) validados e avança na recuperação de áreas degradadas, conciliando preservação ambiental e aumento da produtividade.
Um dos exemplos desse modelo está em Sete Barras, no Vale do Ribeira. O Sítio Boa Vista, administrado pelo produtor Agnaldo José de Oliveira, passou por uma transformação nos últimos anos. O antigo monocultivo de banana deu lugar a um sistema agroflorestal que combina espécies nativas, frutas e raízes em meio à Mata Atlântica.
Integrante da Cooperativa Agropecuária de Produtos Sustentáveis do Guapiruvu (Cooperagua), Agnaldo conta que a diversificação das culturas trouxe mais equilíbrio ambiental e contribuiu para a sustentabilidade econômica da propriedade. “Percebemos que a diversidade de espécies ajuda a evitar pragas e garante maior equilíbrio para a produção”, explica.
Dos oito hectares da propriedade, cinco são destinados ao manejo agroflorestal e três integram a reserva legal. Entre as culturas cultivadas estão banana, palmito juçara, cedro, ipê, canela, mandioca e cará.
Segundo o produtor, a regularização ambiental realizada há cerca de dez anos foi decisiva para ampliar o acesso a políticas públicas e garantir a autorização necessária para o manejo sustentável do palmito juçara, espécie que já esteve ameaçada de extinção na região.
O trabalho é desenvolvido pelo Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, com apoio da Coordenadoria de Regularização Ambiental Rural (CRAR), responsável por orientar produtores em programas de regularização, sistemas agroflorestais e manejo sustentável.
Para o secretário estadual de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho, a preservação deixou de ser vista como um entrave e passou a representar uma oportunidade de crescimento para o setor. “Quando o produtor tem segurança e orientação técnica, a conservação ambiental passa a fazer parte da estratégia de desenvolvimento da propriedade”, afirma.
Atualmente, São Paulo lidera a implementação do Código Florestal no Brasil. Mais de 54 mil propriedades apresentam passivos ambientais identificados e cerca de 21,5 mil hectares estão em processo de recomposição entre Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reservas Legais.
Outro exemplo vem de Avaré, onde a Fazenda Raiar Orgânicos, especializada na produção de ovos orgânicos, incorporou a regularização ambiental ao seu plano de expansão. A propriedade, localizada na Área de Proteção Ambiental de Botucatu, possui 163 hectares e capacidade projetada para abrigar até 700 mil aves.
Após análise técnica, foi identificada a necessidade de recuperação de cinco hectares para complementação da reserva legal. A fazenda aderiu ao Programa de Regularização Ambiental (PRA) e já realizou o plantio de cerca de cinco mil mudas nativas de 60 espécies diferentes.
Para a analista ambiental da empresa, Mayara Cristian Rodrigues, investir em preservação também significa fortalecer a competitividade do negócio. “A regularização ambiental demonstra que produzir alimentos e conservar os recursos naturais não são objetivos opostos. A sustentabilidade é essencial para construir um empreendimento resiliente e preparado para o futuro”, destaca.
Com resultados expressivos e milhares de hectares em recuperação, São Paulo consolida um modelo em que desenvolvimento econômico e conservação ambiental caminham lado a lado, tornando a sustentabilidade uma aliada da produção rural.
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