Inflação sobe pela 13ª semana seguida e mercado vê cenário mais desafiador para a economia

Projeção para o IPCA chega a 5,11% em 2026, acima do teto da meta do Banco Central; conflito no Oriente Médio preocupa analistas e pressiona combustíveis
08/06/2026 às 13h54
 - Atualizado há 1 mês
Inflação

A expectativa do mercado financeiro para a inflação brasileira voltou a subir e acendeu um novo sinal de alerta para a economia. Segundo o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (8) pelo Banco Central, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 5,09% para 5,11% em 2026, registrando a 13ª alta consecutiva nas estimativas.

O índice projetado ultrapassa o teto da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

Entre os fatores que impulsionam a revisão das previsões estão as tensões no Oriente Médio, que têm provocado alta nos preços internacionais do petróleo e reflexos diretos nos combustíveis e em outros setores da economia.

A nova estimativa surge poucos dias antes da divulgação da inflação oficial de maio pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), prevista para a próxima sexta-feira (12). Em abril, o IPCA registrou alta de 0,67%, enquanto o acumulado dos últimos 12 meses ficou em 4,39%, ainda dentro do limite da meta.

Juros seguem no centro das atenções

Diante do avanço das projeções inflacionárias, o mercado também revisou suas expectativas para a taxa básica de juros.

Atualmente, a Selic está em 14,5% ao ano, após dois cortes consecutivos promovidos pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Apesar da redução recente, os analistas acreditam que os juros continuarão elevados por mais tempo.

A previsão para o encerramento de 2026 subiu de 13,25% para 13,5% ao ano. Para os anos seguintes, a expectativa é de desaceleração gradual, chegando a 11,5% em 2027 e 10% em 2028 e 2029.

O Banco Central monitora os impactos da guerra no Oriente Médio e avalia como um possível prolongamento do conflito pode afetar os preços e dificultar o processo de controle da inflação.

A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 16 e 17 de junho.

Economia mostra resistência

Apesar da pressão inflacionária, o mercado elevou levemente a previsão de crescimento da economia brasileira para este ano.

A expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,9% para 1,91%. Para 2027, a projeção permanece em 1,7%, enquanto para 2028 e 2029 a estimativa é de expansão de 2%.

Os números acompanham o desempenho recente da economia. De acordo com o IBGE, o Brasil registrou crescimento de 1,1% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com os três meses anteriores. No acumulado de 12 meses, a alta chega a 2%.

O país também encerrou 2025 com crescimento de 2,3%, impulsionado principalmente pelo setor agropecuário e marcando o quinto ano consecutivo de expansão econômica.

Dólar deve permanecer estável

As projeções para o câmbio permaneceram praticamente inalteradas. O mercado estima que o dólar encerre 2026 cotado a R$ 5,15.

Para 2027, a expectativa é de leve alta, com a moeda norte-americana chegando a R$ 5,20.

Com inflação pressionada, juros ainda elevados e incertezas externas no radar, os próximos meses serão decisivos para definir o rumo da economia brasileira e a capacidade do Banco Central de conduzir a inflação de volta ao centro da meta.

Tudo sobre

Leia também:

Escolha sua rádio