
Brasil amplia liderança mundial enquanto produção colombiana ainda tenta se recuperar

A recuperação da produção de café da Colômbia em maio trouxe um sinal positivo para o mercado internacional, mas ainda está longe de alterar o cenário de ampla liderança do Brasil no setor. Enquanto os colombianos tentam superar os impactos climáticos que afetaram as lavouras ao longo dos últimos meses, a cafeicultura brasileira avança para uma das maiores safras de sua história.
Dados divulgados pela Federação Nacional dos Cafeicultores (FNC) mostram que a Colômbia produziu 1,05 milhão de sacas de café de 60 quilos em maio, volume 29% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado. O resultado interrompe uma sequência de sete meses consecutivos de queda na produção e representa um alívio para o mercado, que vinha acompanhando com preocupação os efeitos das chuvas excessivas sobre as regiões produtoras do país.
Apesar da melhora pontual, os números acumulados de 2026 ainda refletem um cenário desafiador. Entre janeiro e maio, a produção colombiana alcançou 4,27 milhões de sacas, queda de 19% em comparação ao mesmo período de 2025. As exportações também seguem enfraquecidas, com recuo de 22%, somando 4,15 milhões de sacas embarcadas.
O desempenho reforça a diferença de momento entre os dois maiores produtores de café arábica da América do Sul. Enquanto a Colômbia enfrenta dificuldades provocadas pelo excesso de chuvas, que atrasaram a maturação dos frutos e reduziram a produtividade das lavouras, o Brasil vive uma realidade oposta.
A estimativa oficial aponta que a safra brasileira de 2026 deverá atingir 66,7 milhões de sacas, crescimento de 18% em relação ao ciclo anterior. O volume consolida ainda mais a posição do país como principal produtor e exportador mundial de café.
Além da diferença de escala produtiva, o mercado internacional observa com atenção a capacidade dos países de atender à demanda global. Nos últimos meses, compradores enfrentaram incertezas relacionadas à oferta colombiana, especialmente devido aos atrasos na colheita e aos relatos de perdas de qualidade em algumas regiões produtoras.
Mesmo com a reação registrada em maio, os dados dos últimos 12 meses ainda mostram retração na atividade cafeeira colombiana. A produção acumulada caiu 14%, totalizando 12,6 milhões de sacas, enquanto as exportações recuaram 7%, para 11,9 milhões de sacas.
Nesse cenário, o avanço da colheita brasileira fortalece a competitividade do produto nacional no mercado externo. Com maior disponibilidade física e perspectiva de oferta robusta, o Brasil amplia sua capacidade de atender contratos internacionais justamente em um momento em que concorrentes importantes enfrentam limitações produtivas.
A melhora observada na Colômbia é considerada positiva para o equilíbrio do abastecimento global e pode contribuir para reduzir preocupações sobre a oferta mundial. No entanto, os números atuais mostram que o país ainda tem um longo caminho para recuperar as perdas acumuladas ao longo do ano.
Por enquanto, a liderança brasileira permanece incontestável, sustentada por uma safra volumosa, forte presença no comércio internacional e crescente capacidade de abastecer os principais mercados consumidores do mundo.
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