Veterana vive nova virada política após anos de crises, trocas de comando e resultados abaixo da tradição

Com chapa única, oposição deve assumir a Francana em meio à pressão por reconstrução esportiva e administrativa; clube tenta virar a página após temporadas marcadas por polêmicas, dificuldades financeiras e frustrações dentro de campo
25/05/2026 às 16h07
 - Atualizado há 3 meses
Fra

A tradicional Associação Atlética Francana está prestes a iniciar mais um capítulo de sua turbulenta trajetória recente. Após anos marcados por instabilidade administrativa, mudanças de comando, questionamentos internos e campanhas discretas dentro de campo, a Veterana deve ter uma nova diretoria a partir de junho.

O clube registrou apenas uma chapa para a eleição administrativa, encerrada na última sexta-feira (22). Sem concorrência, o grupo “Tradição e Futuro” chega como favorito absoluto para assumir o comando da Francana pelos próximos quatro anos, dependendo apenas da aprovação do Conselho Deliberativo no dia 1º de junho.

A chapa é encabeçada por Fransérgio Garcia, candidato à presidência, e por Welson Antônio de Souza Júnior, o Juninho do Curtume, como vice-presidente. Também integram a composição Cintia Souza Martins, como secretária, e Pedro Augusto Colpani Leme, responsável pela diretoria financeira.

Nos bastidores, o novo grupo afirma contar com apoio de investidores ligados ao futebol nacional, incluindo Ivo Gonçalves, pai do jovem atacante Estêvão, atualmente negociado com o Chelsea Football Club, além de Fransérgio Bastos, ligado ao gerenciamento de carreira de atletas.

A expectativa pela mudança acontece em um momento delicado da história recente da Francana. Clube tradicional do interior paulista, revelador de talentos e dono de uma das torcidas mais apaixonadas da região, a Veterana convive há anos com campanhas irregulares, dificuldades estruturais e promessas de reconstrução que pouco avançaram.

 

Entre tradição e instabilidade

Nos últimos mandatos, a Francana acumulou episódios de desgaste político, dificuldades financeiras e críticas recorrentes da torcida. Mudanças frequentes na diretoria, atrasos em projetos esportivos, debates sobre modelo de gestão e questionamentos sobre investimentos fizeram parte do cotidiano do clube.

Dentro de campo, o cenário também esteve distante da grandeza histórica da Veterana. A equipe alternou participações modestas nas divisões de acesso do futebol paulista, sem conseguir consolidar um projeto duradouro de retorno às principais prateleiras estaduais.

A torcida, acostumada com tempos mais gloriosos, viu o clube enfrentar eliminações precoces, campanhas inconsistentes e dificuldades para manter competitividade em torneios organizados pela Federação Paulista de Futebol.

Mesmo assim, a Francana segue carregando um peso histórico importante no futebol do interior. Fundada em 1912, a Veterana construiu identidade forte na formação de atletas e no vínculo afetivo com a cidade de Franca. O estádio Estádio Municipal Doutor José Lancha Filho, o tradicional Lanchão, continua sendo símbolo de resistência para gerações de torcedores.

 

O elo com Franca e o sonho da retomada

Mais do que um clube de futebol, a Francana representa parte da memória esportiva francana. Em diferentes épocas, a Veterana revelou jogadores, movimentou o comércio local e serviu como espaço de encontro entre famílias e torcedores apaixonados.

Nos últimos anos, porém, o distanciamento entre expectativa e realidade aumentou. A ausência de protagonismo esportivo e a sequência de gestões contestadas fizeram crescer a cobrança por profissionalização e transparência.

É justamente nesse cenário que a futura diretoria tenta construir o discurso de retomada. O nome da chapa, “Tradição e Futuro”, busca unir o peso histórico do clube com a promessa de modernização administrativa e fortalecimento do futebol de base, área vista por muitos como principal ativo da Francana.

A aproximação com investidores ligados ao mercado de atletas também alimenta expectativas sobre possíveis parcerias, captação de recursos e valorização das categorias de formação.

 

Eleição sem disputa e expectativa da torcida

Sem adversários no processo eleitoral, a futura gestão chega sem resistência formal, mas cercada por um desafio enorme: reconectar a Francana com sua torcida e devolver competitividade a um dos clubes mais tradicionais do interior paulista.

Para muitos torcedores, a eleição representa mais do que uma simples troca administrativa. É vista como uma tentativa de interromper um ciclo de instabilidade que há anos impede a Veterana de transformar tradição em resultados concretos.Parte inferior do formulário

Tudo sobre

Leia também:

Escolha sua rádio