Inteligência artificial avança no campo e pode substituir inseticidas com ajuda de vespas

Pesquisa da USP automatiza identificação de insetos que atuam no controle biológico e abre caminho para uma agricultura mais sustentável
05/05/2026 às 16h35
 - Atualizado há 3 meses
Agro
O estudo tem potencial para revolucionar o trabalho de especialistas em taxonomia — Foto: Divulgação

A tecnologia pode estar prestes a transformar a forma como pragas agrícolas são combatidas no Brasil. Um estudo desenvolvido na Universidade de São Paulo (USP) conseguiu automatizar, com o uso de inteligência artificial, a identificação de vespas capazes de substituir inseticidas no controle de pragas.

A pesquisa utilizou técnicas de deep learning e visão computacional para analisar mais de 3 mil imagens em alta resolução, alcançando alta precisão na identificação de vespas da família Ichneumonidae, conhecidas por parasitar insetos considerados prejudiciais às lavouras. O avanço representa um passo importante rumo a práticas agrícolas mais sustentáveis.

Desenvolvido como dissertação de mestrado na Escola de Engenharia de São Carlos, o estudo foi realizado em parceria com especialistas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e com o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia dos Hymenoptera Parasitoides. A proposta é acelerar um processo que hoje depende de análise manual e altamente especializada.

Atualmente, a identificação taxonômica de insetos exige anos de formação e um trabalho minucioso de comparação visual. Com a automação, o sistema consegue reconhecer padrões morfológicos, como formato das asas e do corpo e realizar uma classificação inicial, reduzindo o tempo de análise e permitindo que especialistas se concentrem em etapas mais complexas.

Além de otimizar o trabalho científico, a tecnologia pode ter impacto direto no campo. As vespas estudadas atuam como agentes naturais de controle biológico, eliminando pragas sem a necessidade de produtos químicos. Em culturas como mandioca, cana-de-açúcar e café, elas podem desempenhar um papel estratégico na redução do uso de pesticidas.

O estudo também reforça a importância de ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade. Apesar de os insetos representarem cerca de metade da biomassa do planeta, estima-se que aproximadamente 80% das espécies ainda não foram catalogadas. Essa lacuna impacta diretamente tanto a conservação ambiental quanto o desenvolvimento de soluções sustentáveis para a agricultura.

Com o avanço da inteligência artificial, pesquisadores acreditam que será possível identificar padrões invisíveis ao olho humano, ampliando ainda mais o potencial de descobertas. A expectativa é que, no futuro, sistemas automatizados se tornem aliados essenciais no monitoramento ambiental e na produção agrícola.

A combinação entre ciência, tecnologia e natureza aponta para um cenário em que produtividade e sustentabilidade caminham lado a lado, com menos químicos e mais inteligência no campo.

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