Advogados suspeitos de envolvimento em esquema milionário e fraudes judiciais na região são presos

Segunda fase da Operação Têmis cumpriu mandados em Ribeirão Preto, Igarapava e Sertãozinho; grupo é investigado por causar prejuízos milionários a bancos
07/05/2026 às 08h30
 - Atualizado há 4 meses
Cópia de POP (600 x 375 px)
Foto: Reprodução MPSP

Uma operação da Polícia Civil e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, prendeu nesta quarta-feira, 06, ao menos quatro advogados suspeitos de integrar um esquema de fraudes judiciais e financeiras em Ribeirão Preto, Igarapava e Sertãozinho. Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 20 mandados de busca e apreensão durante a segunda fase da Operação Têmis, que investiga golpes milionários contra instituições bancárias.

Segundo o Ministério Público, os investigados seriam peças fundamentais da organização criminosa, suspeita de utilizar ações judiciais fraudulentas para obter vantagens financeiras. Entre os alvos presos estão Klaus Philipp Lodoli, Rafael de Jesus Moreira, Carlos Renato Lira Buosi, Daiane Cristina Rosa, Carine Costa e Silva Araújo e Donizete Gomes da Silva. Desses, quatro atuam como advogados. Klaus já havia sido preso na primeira fase da operação, em 2018, mas respondia em liberdade e atualmente possui registro suspenso pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Durante as diligências, policiais estiveram em residências, empresas e escritórios ligados aos investigados. Foram apreendidos veículos, celulares, computadores e documentos que agora passarão por análise. A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores, além da suspensão das atividades de empresas apontadas como parte do esquema e do exercício profissional dos advogados investigados.

As investigações apontam que o grupo teria captado ilegalmente pessoas em situação de vulnerabilidade e usado dados pessoais dessas vítimas para entrar com ações judiciais sem autorização. Conforme o MP, milhares de processos teriam sido distribuídos em diferentes comarcas do país utilizando empresas de fachada e documentos obtidos de forma irregular. Os suspeitos devem responder por crimes como organização criminosa, estelionato, falsidade ideológica, fraude processual, lavagem de dinheiro e violação de sigilo de dados.

Em nota, a OAB informou que acompanhou as diligências para garantir o respeito às prerrogativas profissionais dos envolvidos e destacou que possui mecanismos próprios para apurar eventuais infrações ético-disciplinares.

A primeira fase da Operação Têmis foi deflagrada em janeiro de 2018 e revelou um esquema que teria causado prejuízo de cerca de R$ 100 milhões a bancos. Na época, as investigações apontaram que os envolvidos obtinham ilegalmente dados de correntistas e ajuizavam ações relacionadas aos antigos planos econômicos, como Collor, Verão e Bresser, muitas vezes sem que as vítimas soubessem. Segundo o MP, pessoas inadimplentes eram convencidas a assinar procurações em meio a outros documentos com a promessa de quitação de dívidas, sem conhecimento do golpe.

Até o momento, as defesas dos investigados não haviam se manifestado sobre o caso.

Tudo sobre

Leia também:

Escolha sua rádio