
Compulsão alimentar cresce no Brasil e acende alerta para impactos físicos e emocionais

A compulsão alimentar, um dos transtornos mais comuns relacionados à alimentação, tem ganhado atenção de especialistas por seus impactos no corpo e na saúde mental. Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 70 milhões de pessoas convivem com transtornos alimentares no mundo. No Brasil, esse número chega a aproximadamente 11 milhões, quase 5% da população.
Caracterizada pela ingestão de grandes quantidades de comida em um curto período, acompanhada de perda de controle, a compulsão alimentar vai além de episódios pontuais de exagero. De acordo com a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina, o transtorno envolve sofrimento emocional e impacto direto na qualidade de vida. “O comportamento não está ligado à fome física, mas a fatores emocionais. Os episódios costumam vir acompanhados de culpa, vergonha e angústia”, explica o endocrinologista Rafael Henrique Godoy, da Hapvida.
Para o diagnóstico, é necessário que os episódios ocorram, em média, ao menos uma vez por semana durante três meses, com base no relato do paciente e na análise do padrão de comportamento.
Além do impacto emocional, a compulsão alimentar pode trazer consequências metabólicas importantes. Entre elas estão o aumento do colesterol e dos triglicerídeos, resistência à insulina, maior risco de desenvolver Diabetes tipo 2 e até apneia do sono.
Alguns fatores aumentam o risco de desenvolver o transtorno, como histórico de dietas restritivas, sobrepeso desde a infância e quadros de ansiedade, depressão ou baixa autoestima.
O tratamento, segundo especialistas, deve ser multidisciplinar. A base é a psicoterapia, com abordagens como a terapia cognitivo-comportamental, aliada ao acompanhamento nutricional e, em alguns casos, ao uso de medicação.
A psicóloga Cristiane Viana dos Santos destaca que a relação com a comida, nesses casos, está diretamente ligada às emoções. “Muitas pessoas usam a alimentação como forma de aliviar sentimentos como ansiedade, tristeza ou frustração. É o que chamamos de fome emocional”, explica.
Ainda segundo ela, a compulsão alimentar não deve ser vista como falta de controle ou “fraqueza”, mas como um transtorno complexo que exige cuidado especializado.
Com acompanhamento adequado, é possível interromper o ciclo da compulsão e desenvolver uma relação mais equilibrada com a alimentação e consigo mesmo.
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