Agro brasileiro enfrenta “tempestade perfeita” com dívida crescente e crédito mais restrito

Parlamentares pressionam governo por medidas emergenciais enquanto produtores lidam com custos altos, queda nas commodities e dificuldades de financiamento
15/04/2026 às 16h27
 - Atualizado há 3 meses
Agro pop

A agropecuária brasileira atravessa um momento de forte instabilidade, marcado pelo aumento do endividamento rural e pela dificuldade de acesso ao crédito. O cenário, classificado por lideranças do setor como uma “tempestade perfeita”, reúne fatores como custos elevados de produção, desvalorização das commodities e juros altos nos financiamentos.

A situação ganhou destaque após reunião da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) com o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula. No encontro, parlamentares apresentaram propostas para amenizar a crise e evitar impactos mais profundos no setor.

Entre as principais medidas está o Projeto de Lei 5.122/2023, que prevê a criação de uma linha de crédito específica para a renegociação de dívidas rurais, com recursos do Fundo Social. A estimativa é de que cerca de R$ 30 bilhões sejam destinados à iniciativa, valor considerado insuficiente pela própria bancada diante do nível de endividamento atual.

A proposta segue em tramitação no Senado e conta com articulações para acelerar sua aprovação. Além disso, a FPA cobra maior participação do governo federal na construção de soluções estruturais para o problema.

O setor também reivindica mudanças nas regras de concessão de crédito rural, ampliação do Plano Safra e revisão de normas que impactam diretamente a produção, como critérios ambientais atrelados ao financiamento.

Durante a reunião, parlamentares destacaram que a crise atinge produtores de diferentes portes em todo o país, muitos dos quais enfrentam dificuldades para manter a atividade diante das condições adversas.

O ministro André de Paula sinalizou abertura ao diálogo e afirmou que pretende estreitar a relação com a bancada, com a possibilidade de encontros periódicos para discutir políticas públicas voltadas ao agro.

Enquanto as negociações avançam, o setor segue pressionado por um cenário econômico desafiador, que pode comprometer a próxima safra e a sustentabilidade financeira de milhares de produtores brasileiros.

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