Projeto leva arte acessível a instituições e amplia inclusão com oficinas sensoriais gratuitas

Iniciativa de Erlindo Morato percorre entidades de Franca com a “Cartilha do Pedro”, unindo cultura, educação e acessibilidade
17/03/2026 às 13h20
 - Atualizado há 4 meses
ERLINDO
Oficina no Lar de Idosos Eurípedes Barsanulfo — Foto: Divulgação

As oficinas inclusivas do projeto “Cartilha do Pedro” já estão em andamento e começam a transformar a rotina de crianças, idosos e pessoas com deficiência atendidas por instituições sociais. A iniciativa, lançada nesta semana pelo artista Erlindo Morato, propõe experiências artísticas acessíveis, com atividades sensoriais e interativas que estimulam a expressão e o pertencimento.

Os primeiros encontros aconteceram com crianças do Centro Espírita Esperança e Fé e com idosos do Lar Eurípedes Barsanulfo. Agora, o projeto segue para novas etapas, chegando a instituições como a Caminhar, a Sociedade Francana de Instrução e Trabalho para Cegos, a Apada e a Escola Pestalozzi, ampliando o alcance da proposta.

Ao todo, serão seis oficinas gratuitas, voltadas especialmente a pessoas em situação de vulnerabilidade social e/ou com deficiência. Cada atividade é adaptada conforme o público, garantindo participação efetiva e respeitando diferentes formas de comunicação e aprendizagem.

O destaque do projeto é o material pedagógico que dá base às oficinas: a “Cartilha do Pedro”. Produzida de forma totalmente artesanal, com textos e ilustrações feitos à mão, a obra reúne conteúdos multilinguagens, como fala, dicção, desenho, música e expressão tátil, promovendo uma abordagem inclusiva e sensorial.

Durante os encontros, os participantes recebem kits com materiais como canetinhas hidrocor ou massa de modelar, incentivando a continuidade das atividades fora das oficinas. As práticas envolvem desde fundamentos de desenho, como proporção e perspectiva, até noções básicas de música e exercícios de escrita criativa.

Para pessoas com deficiência visual, as atividades são adaptadas com foco em formas e texturas, ampliando as possibilidades de expressão por meio do tato. Já para o público surdo, as oficinas contam com intérprete de Libras, além do apoio de agentes de acessibilidade em todos os espaços.

Segundo o artista, a proposta vai além do ensino técnico. “Os encontros funcionam como espaços de escuta, ludicidade e experimentação artística”, afirma Morato, destacando o papel das dinâmicas em grupo no desenvolvimento da comunicação e da autonomia.

Idealizadora do projeto, a produtora Claryssa Pádua reforça o impacto social da iniciativa. “Muitas dessas pessoas enfrentam barreiras que limitam o acesso à cultura. Queremos oferecer um ambiente acolhedor, onde possam se reconhecer como protagonistas”, explica.

A cartilha que inspira o projeto surgiu em 2013, a partir da vivência pessoal de Morato com o filho Pedro, que enfrentava dificuldades no aprendizado escolar. Como resultado, a obra será distribuída gratuitamente em 200 exemplares, incluindo versões em braile, além de uma edição digital disponível para download.

Mesmo com o avanço das tecnologias, o artista defende o valor do material físico. Para ele, o livro representa uma experiência sensorial única, capaz de conectar o leitor de forma mais profunda com o conteúdo.

Contemplado pela Bolsa Cultura 2025, da Secretaria Municipal de Esporte e Cultura, o projeto segue nas próximas semanas com novas oficinas, consolidando-se como uma iniciativa que une arte, inclusão e transformação social na prática.

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