Monitoramento por satélite avança e amplia fiscalização ambiental

Em São Paulo, uso de imagens espaciais cresce e permite identificar alterações na vegetação com mais precisão e agilidade
30/03/2026 às 15h23
 - Atualizado há 4 meses
Agro

O uso de tecnologia para proteger o meio ambiente ganhou força nos últimos anos. O Estado de São Paulo ampliou em nove vezes sua capacidade de monitoramento ambiental com o uso de imagens de satélite, reforçando a fiscalização e o controle sobre alterações na vegetação nativa.

A iniciativa, conduzida pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, utiliza o sistema de Monitoramento Ambiental por Imagens de Satélite (MAIS), que cruza dados geoespaciais para identificar indícios de desmatamento e outras intervenções.

Entre 2023 e 2025, a ferramenta detectou 2.741 ocorrências de alterações ambientais, o equivalente a 5.392 hectares impactados. Desse total, 91% das áreas já passaram por fiscalização em campo, resultando em 1.167 autuações.

Mais frequência, mais precisão

O avanço não está apenas na tecnologia, mas também na frequência das análises. Antes, o território paulista era monitorado, em média, duas vezes por ano. Em 2025, esse número saltou para cerca de 18 análises anuais, permitindo uma leitura muito mais detalhada e constante das mesmas áreas.

Segundo André Rocha, isso torna o trabalho mais estratégico. “O monitoramento permite identificar indícios de alterações e priorizar as áreas que precisam de verificação em campo, otimizando as ações”, explica.

Pequenas áreas, grande desafio

Diferentemente de outras regiões do país, onde o desmatamento ocorre em grandes extensões, no território paulista as ocorrências são, em sua maioria, pequenas e dispersas.

Dados mostram que:

  • 84% das intervenções ocorrem em áreas de até 1 hectare
  • 14% variam entre 1 e 5 hectares
  • Apenas 2% ultrapassam 5 hectares

Essa característica exige maior precisão e frequência no monitoramento, algo que a tecnologia tem permitido alcançar.

Além disso, 87% das alterações identificadas estão no bioma Mata Atlântica, enquanto 13% ocorrem no Cerrado.

Integração de dados e parcerias

O sistema utiliza imagens de satélites como Sentinel-2 e CBERS-4A, além de dados de alta resolução do programa Programa Brasil MAIS. Também há integração com plataformas como o Google Earth e alertas de instituições como o MapBiomas e a Fundação SOS Mata Atlântica.

Essa articulação amplia a capacidade de análise sem necessidade de altos investimentos, aproveitando bases de dados já disponíveis.

Fiscalização e recuperação

As informações geradas também orientam políticas públicas. A partir dos alertas, equipes técnicas direcionam ações da Polícia Militar Ambiental e ajudam a identificar áreas prioritárias para recuperação.

Atualmente, o estado soma cerca de 34,5 mil hectares em projetos de conservação e restauração ambiental. Além disso, mais de 11,8 mil hectares estão vinculados a compromissos de reparação de danos, indicando uma tendência de regeneração da vegetação nativa.

Para o subsecretário Jônatas Trindade, o uso de geotecnologias fortalece a gestão ambiental. “A tecnologia permite acompanhar o território com mais agilidade, apoiar a fiscalização e contribuir para a recuperação de áreas degradadas”, afirma.

Com o avanço do monitoramento por satélite, o Estado reforça o uso da inovação como aliada na proteção ambiental e no planejamento sustentável do território.

Tudo sobre

Leia também:

Escolha sua rádio