
Molécula encontrada em pítons pode abrir caminho para novo tratamento contra obesidade

Uma molécula identificada no organismo de pítons após a alimentação pode ajudar no desenvolvimento de novos tratamentos contra a obesidade. A descoberta, publicada nesta semana na revista Nature Metabolism, foi feita por pesquisadores da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos. O composto, chamado pTOS, foi analisado a partir do sangue das serpentes e demonstrou, em testes com camundongos, a capacidade de reduzir o apetite e promover perda de peso sem causar efeitos colaterais comuns em medicamentos atuais.
O interesse dos cientistas surgiu a partir do comportamento extremo das pítons, que conseguem ingerir grandes presas e passar longos períodos sem se alimentar. Após uma refeição, o organismo desses animais passa por mudanças intensas, com aceleração do metabolismo e adaptações que permitem a digestão sem prejuízos à saúde. Ao estudar esse processo, os pesquisadores identificaram centenas de substâncias no sangue das serpentes — entre elas, o pTOS, que apresentou aumento significativo após a alimentação.
Nos testes realizados em laboratório, a molécula atuou diretamente no cérebro dos camundongos, mais precisamente na região responsável pelo controle da fome. O resultado foi a diminuição da ingestão de alimentos e a perda de peso, sem sintomas como náuseas, perda muscular ou queda de energia, efeitos frequentemente associados a medicamentos usados atualmente no tratamento da obesidade. A substância é produzida por bactérias intestinais das pítons e aparece em pequenas quantidades no organismo humano.
Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores destacam que a descoberta ainda está em fase inicial. Novos estudos serão necessários para avaliar a segurança e eficácia da substância em humanos. A equipe já trabalha no avanço das pesquisas e vê potencial não só no combate à obesidade, mas também em outras condições, como a perda de massa muscular relacionada ao envelhecimento.
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