Ministério Público prepara campanha para combater assédio eleitoral no trabalho

Ação busca orientar trabalhadores e empresas e reforçar que pressão por voto é ilegal
23/03/2026 às 08h22
 - Atualizado há 4 meses
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Foto: Agencia BR

O Ministério Público do Trabalho (MPT) está preparando uma nova campanha para combater o assédio eleitoral no ambiente de trabalho em todo o país, diante da proximidade das eleições deste ano. A iniciativa, que ainda não tem data oficial de lançamento, já começa a ser divulgada nas redes sociais do órgão e busca conscientizar empregadores e trabalhadores sobre práticas ilegais que envolvem pressão política no ambiente profissional.

De acordo com o procurador Igor Sousa Gonçalves, o assédio eleitoral acontece quando o empregador constrange ou tenta influenciar o posicionamento político do funcionário, interferindo diretamente na liberdade de escolha do voto. Ele explica que esse tipo de conduta pode incluir intimidações, orientações forçadas ou até ameaças veladas, o que compromete um dos direitos mais básicos do cidadão. “A liberdade de pensamento é fundamental, e esse tipo de prática prejudica não só o trabalhador, mas a própria democracia”, destaca.

O procurador compara a situação a uma versão moderna do chamado “voto de cabresto”, prática comum no passado, quando eleitores eram pressionados por lideranças locais a votar em determinados candidatos. Hoje, segundo ele, esse tipo de influência pode ocorrer dentro das empresas, de forma mais sutil, mas igualmente prejudicial. Casos assim podem ser denunciados diretamente ao MPT pela internet, com envio de provas como mensagens, gravações ou identificação de envolvidos, o que ajuda a agilizar as investigações.

Nas eleições anteriores, o problema já acendeu o alerta: em 2022, foram registradas mais de 3 mil denúncias em todo o país, com destaque para as regiões Sudeste e Sul. A legislação eleitoral proíbe expressamente qualquer tipo de propaganda ou pressão política no ambiente de trabalho, tanto no setor público quanto no privado, e prevê punições para quem praticar ou permitir esse tipo de conduta. Neste ano, milhões de brasileiros devem voltar às urnas para escolher presidente, governadores, parlamentares e senadores, com possibilidade de segundo turno conforme o resultado das votações.

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