
Agro dispara 11,7%, puxa PIB e amplia peso na economia brasileira

A agropecuária foi o grande destaque da economia brasileira em 2025. O setor registrou crescimento de 11,7% na comparação com o ano anterior e respondeu sozinho por 32,8% da expansão de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Os dados foram divulgados nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Mesmo representando apenas 7% da economia nacional, o agro foi o principal responsável por impulsionar o resultado positivo do PIB. “Apesar de ser uma atividade que não pesa tanto no PIB, a agropecuária cresceu tanto que foi a que mais contribuiu para o crescimento. Realmente chamou bastante atenção”, avaliou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.
O avanço também ampliou a participação do setor na economia: de 6,7% em 2024 para 7,1% em 2025. Ainda assim, o índice permanece abaixo do registrado em 2021 (7,7%). Em 2010, o agro representava apenas 4,8% do PIB.
Lavoura em alta
O desempenho expressivo foi puxado principalmente pela agricultura. Segundo o IBGE, o país teve safra recorde de soja e milho, culturas que juntas representam cerca de 45% da produção agrícola nacional.
Confira os principais crescimentos de produção em 2025:
- Soja: +14,6%
- Milho: +23,6%
- Laranja: +28,4%
“A gente teve um ano recorde de safra de soja e milho, que têm peso muito grande no primeiro trimestre. Além disso, houve crescimento de produtividade”, explicou Palis. A pesquisadora também destacou resultados positivos na pecuária, especialmente na produção de bovinos e leite.
Indústria e serviços
Depois da agropecuária, a atividade que mais contribuiu para o crescimento foi a indústria extrativa, com alta de 15,3%. No entanto, sua participação no PIB recuou de 24,4% para 23,4%, influenciada pela queda do preço internacional do petróleo.
O setor de serviços segue como o de maior peso na economia brasileira, representando 69,5% do PIB em 2025, ante 68,9% no ano anterior.
Perspectiva para 2026
Em boletim divulgado após os dados do IBGE, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda projeta crescimento de 2,3% para 2026, ritmo semelhante ao deste ano.
A expectativa é de desaceleração no agro, compensada por maior dinamismo da indústria e dos serviços. A menor produção prevista de milho e arroz, além da redução no abate de bovinos, deve limitar a expansão do setor, mesmo com a perspectiva de nova safra recorde de soja.
Após um ano de forte protagonismo, o desafio do campo será manter o fôlego em um cenário de ajustes produtivos e oscilações de mercado.
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