Zagueiro se retrata após declaração machista contra árbitra em jogo decisivo

Em São Paulo, fala após eliminação no Paulista gera reação do clube e da Federação
23/02/2026 às 15h37
 - Atualizado há 5 meses
Futb

O zagueiro Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, pediu desculpas após fazer uma declaração considerada machista contra a árbitra Daiane Muniz. A fala ocorreu no último sábado (21), depois da derrota por 2 a 1 para o São Paulo Futebol Clube, pelas quartas de final do Campeonato Paulista.

Em entrevista à emissora TNT logo após a partida, o jogador questionou a escalação da árbitra para um confronto decisivo. “Não adianta jogar contra São Paulo, Palmeiras, Corinthians e colocarem uma mulher para apitar um jogo desse tamanho”, afirmou, acrescentando que a arbitragem teria prejudicado o desempenho da equipe.

A declaração repercutiu negativamente e gerou manifestações de repúdio. No dia seguinte, Gustavo Marques publicou um pedido de desculpas nas redes sociais. “Estava de cabeça quente e muito frustrado pelo resultado da nossa equipe e acabei falando o que não deveria. Isso não justifica minha atitude e peço desculpas a todas as mulheres e, em especial, à Daiane. Espero sair desse episódio uma pessoa melhor e prometo aprender com esse erro”, escreveu.

Clube repudia fala

Em nota oficial, o Red Bull Bragantino também lamentou o episódio e afirmou que irá analisar uma possível punição interna ao atleta. “O clube não compactua e repudia a fala machista do zagueiro Gustavo Marques. Sabemos que o peso de uma eliminação é frustrante, mas nada justifica o que foi dito, seja no futebol ou em qualquer meio da sociedade”, destacou o comunicado.

Federação aciona Justiça Desportiva

A Federação Paulista de Futebol (FPF) classificou a declaração como “primitiva, machista, preconceituosa e misógina” e informou que encaminhará o caso à Justiça Desportiva.

Em posicionamento oficial, a entidade afirmou que é “absolutamente estarrecedor que um atleta questione a capacidade de um árbitro com base em seu gênero” e ressaltou que conta atualmente com 36 árbitras e assistentes em seu quadro, reforçando o compromisso com a ampliação da presença feminina na arbitragem.

O episódio reacende o debate sobre machismo no esporte e a necessidade de respeito dentro e fora de campo, especialmente em competições de grande visibilidade.

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