Safra histórica à vista: Brasil pode colher mais de 66 milhões de sacas de café em 2026

Primeiro levantamento da Conab aponta crescimento de 17,1% na produção nacional; Minas Gerais lidera, e cenário internacional mantém preços em alta
05/02/2026 às 15h21
 - Atualizado há 6 meses

O Brasil caminha para uma safra de café histórica em 2026. A primeira estimativa divulgada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta uma produção de 66,2 milhões de sacas beneficiadas, número que representa um crescimento de 17,1% em relação à safra de 2025. Caso o volume se confirme, será o maior já registrado na série histórica da Companhia, superando o recorde de 2020, quando o país colheu 63,1 milhões de sacas.

O avanço expressivo é atribuído, principalmente, ao ano de bienalidade positiva, fenômeno natural da cultura do café, aliado ao aumento da área em produção, estimada em 1,9 milhão de hectares, alta de 4,1% frente ao ciclo anterior. Além disso, condições climáticas mais favoráveis, somadas ao uso de tecnologias e boas práticas de manejo, contribuíram para a elevação da produtividade média, que deve alcançar 34,2 sacas por hectare, crescimento de 12,4%.

A produção de café arábica, mais sensível à bienalidade, deve alcançar 44,1 milhões de sacas, alta de 23,3% em relação a 2025. Já o conilon também apresenta desempenho positivo, com expectativa de 22,1 milhões de sacas, crescimento de 6,4%, podendo estabelecer um novo recorde para a variedade.

Destaque regional

Entre os estados produtores, Minas Gerais segue na liderança nacional, com produção estimada em 32,4 milhões de sacas. O bom desempenho é explicado pela melhor distribuição das chuvas antes da floração e pelo bom desenvolvimento fisiológico das lavouras. Em São Paulo, a safra deve alcançar 5,5 milhões de sacas, impulsionada pela bienalidade positiva e pela recuperação de áreas afetadas no ciclo anterior.

A Bahia tem previsão de colher 4,6 milhões de sacas, crescimento de 4%, sendo 1,2 milhão de arábica e 3,4 milhões de conilon. No Espírito Santo, maior produtor de conilon do país, a produção total está estimada em 19 milhões de sacas, alta de 9%. Somente o conilon deve atingir 14,9 milhões de sacas, beneficiado pelas boas chuvas no norte do estado. Já Rondônia, com cultivo exclusivo de conilon, pode registrar 2,7 milhões de sacas, aumento expressivo de 18,3%, resultado da renovação do parque cafeeiro com clones mais produtivos e do clima favorável.

Mercado segue pressionado

Mesmo com a queda de 17,1% no volume exportado em 2025, o café brasileiro alcançou US$ 16,1 bilhões em exportações, um novo recorde histórico, impulsionado pela valorização de 57,2% no preço médio do produto, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Para 2026, a expectativa é de manutenção dos preços em patamares elevados, apesar da produção recorde no Brasil e da perspectiva de boa safra no Vietnã. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam que o consumo mundial deve atingir 173,9 milhões de sacas, novo recorde, puxado principalmente pela demanda da Ásia, com destaque para China, Indonésia e Vietnã.

O cenário é reforçado pelos baixos estoques globais, considerados os menores dos últimos 25 anos. No início da safra 2025/26, o volume deve ser de 21,3 milhões de sacas, com nova queda prevista até o fim do ciclo, mantendo o mercado internacional aquecido.

Mais detalhes sobre os números e projeções da safra de café em 2026 podem ser consultados no Boletim do 1º Levantamento, disponível no site da Conab.

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