
Projeção de safra histórica derruba preços e trava negociações do café

A expectativa de uma safra recorde de café no Brasil voltou a pressionar os preços no mercado neste início de fevereiro. Dados do Cepea indicam que a desvalorização dos grãos se intensificou após novas estimativas da Conab, que projetam a maior colheita da história do país na temporada 2026/27, cenário que tem afastado produtores das negociações e praticamente paralisado o mercado.
Até janeiro, a queda nos preços era atribuída principalmente ao clima favorável, com chuvas em bons volumes nas principais regiões produtoras. No entanto, a divulgação de números mais robustos sobre a próxima safra reforçou o movimento de baixa. Segundo a Conab, a produção brasileira em 2026 deve alcançar 66,2 milhões de sacas, um crescimento de 17,2% em relação ao ano anterior e o maior volume já registrado no país.
Desse total, a produção de café arábica deve somar 44,1 milhões de sacas, alta de 23,2%, enquanto o robusta deve crescer 6,3%, chegando a 22,1 milhões de sacas. Para os pesquisadores do Cepea, esse cenário pode ajudar na recomposição dos estoques, embora sem gerar excedentes expressivos, já que a relação entre oferta e demanda nos últimos anos tem sido bastante ajustada, ou até negativa, comprometendo os estoques globais.
Com os preços em queda, muitos produtores optaram por se afastar do mercado, aguardando melhores condições, o que reduziu significativamente o volume de negócios. Ao mesmo tempo, exportadores relatam dificuldades na formação de lotes, em razão da baixa disponibilidade de café no mercado spot.
Apesar do otimismo inicial com a safra futura, especialistas alertam que o cenário ainda inspira cautela. Segundo Haroldo Bonfá, analista de mercado e diretor da Pharos Consultoria, o Brasil vem de uma safra 2025/26 estimada em cerca de 62 milhões de sacas, com consumo interno próximo de 22 milhões e exportações em torno de 39 milhões, o que resultou em um estoque de passagem de apenas 2 milhões de sacas. “Vale lembrar que estamos saindo de um estoque de passagem zerado no começo da safra anterior”, ressalta.
Na avaliação de Marcelo Moreira, analista da Archer Consulting, a atual movimentação do mercado reflete a percepção de que, mesmo com estoques ainda apertados e concentrados em poucas origens, o abastecimento global não deve enfrentar problemas no curto prazo. Ele destaca a entrada do café do Vietnã, que exportou entre 3,4 e 3,7 milhões de sacas em janeiro de 2026, ajudando a equilibrar o mercado até o início da próxima safra brasileira, previsto para o fim de abril.
Bolsas internacionais
Na manhã desta quarta-feira (11), os preços apresentavam comportamento misto nas bolsas internacionais. Por volta das 9h40 (horário de Brasília), o arábica registrava alta de 40 pontos, cotado a 294,60 cents/lbp no contrato de março/26. Os vencimentos de maio/26 e julho/26 também operavam em alta, com ganhos de 100 e 110 pontos, respectivamente.
Já o robusta seguia em queda, com recuo de US$ 20, negociado a US$ 3.723 por tonelada no contrato de março/26. Os vencimentos de maio e julho também apresentavam desvalorização, refletindo a pressão do cenário global de oferta.
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