Estudo revela que própolis verde pode ajudar na proteção e regeneração de neurônios

Pesquisa da USP identifica compostos da própolis verde com potencial para atuar na prevenção e no controle de doenças como Alzheimer e Parkinson
17/02/2026 às 11h41
 - Atualizado há 5 meses
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Foto: Agencia SP

A própolis verde, substância produzida por abelhas a partir da resina do alecrim-do-campo, pode ter um papel promissor na proteção do cérebro. Um estudo desenvolvido na Universidade de São Paulo (USP) identificou que dois compostos presentes nessa própolis, Artepelin C e Bacarina, são capazes de estimular a regeneração de neurônios e proteger células nervosas, o que abre caminho para novas estratégias de prevenção e controle de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson.

A pesquisa foi conduzida na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) durante o doutorado do farmacêutico Gabriel Rocha Caldas, sob orientação do professor Jairo Kenupp Bastos. Em laboratório, os cientistas isolaram os compostos da própolis verde e observaram que eles estimulam a formação de neuritos, estruturas fundamentais para a comunicação entre as células do sistema nervoso. Também foi identificado aumento de proteínas ligadas ao crescimento e à maturação dos neurônios, indicando um ambiente mais favorável à regeneração celular.

Os testes foram realizados em culturas de células e contaram com o apoio de modelagens computacionais para avaliar como essas moléculas se comportam no organismo. Os resultados mostraram que os compostos têm potencial antioxidante, ajudando a neutralizar substâncias tóxicas que se acumulam em doenças neurodegenerativas. Além disso, apresentaram efeito antiapoptótico, ou seja, contribuíram para reduzir a morte programada das células nervosas.

Para facilitar a chegada do Artepelin C ao sistema nervoso, os pesquisadores modificaram quimicamente a molécula, tornando-a mais apta a atravessar a barreira hematoencefálica, uma espécie de filtro natural que protege o cérebro. A estratégia ampliou as chances de o composto atingir o tecido cerebral em um organismo vivo.

Segundo o autor da pesquisa, os achados representam uma linha promissora que pode ser aprofundada em estudos futuros. Além do impacto na área da saúde, o trabalho também reforça o valor científico e econômico da própolis verde, um produto característico do Brasil e já reconhecido por suas propriedades medicinais.

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