Efeito sanfona afeta metabolismo e reduz gordura que ajuda a queimar energia em mulheres

Estudo aponta que ciclos repetidos de emagrecimento e ganho de peso pioram indicadores metabólicos e diminuem a atividade da gordura marrom, ligada ao gasto energético
07/02/2026 às 10h36
 - Atualizado há 6 meses
Foto: Agencia SP

Um estudo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) acende um alerta para mulheres que passam por sucessivos ciclos de emagrecimento e reganho de peso, o chamado efeito sanfona. A pesquisa mostra que esse padrão está associado a pior perfil cardiometabólico e à redução da atividade da gordura marrom, um tipo de tecido que ajuda o corpo a gastar energia. O trabalho envolveu 121 mulheres, com idades entre 20 e 41 anos, e foi publicado na revista científica Nutrition Research.

O levantamento foi realizado no Laboratório de Investigação em Metabolismo e Diabetes do Gastrocentro da Unicamp e contou com apoio da Fapesp. As participantes foram divididas em dois grupos: mulheres sem histórico de efeito sanfona e aquelas classificadas como “cicladoras”, que relataram ao menos três episódios de perda intencional de peso seguidos de reganho não planejado de, no mínimo, 4,5 quilos nos últimos quatro anos.

Os pesquisadores analisaram a atividade da gordura marrom, conhecida por sua função oposta à da gordura branca. Enquanto a branca armazena energia, a marrom queima glicose e lipídios para gerar calor, contribuindo para o gasto energético do organismo. Para medir essa atividade, as voluntárias passaram por um protocolo de exposição controlada ao frio, a 18 °C, e foram monitoradas com uma câmera de termografia infravermelha, que identifica áreas do corpo com maior produção de calor.

Os resultados mostraram que as mulheres com histórico de efeito sanfona apresentaram maior percentual de gordura corporal, mais gordura visceral e piores indicadores metabólicos, além de menor ativação da gordura marrom. Segundo os pesquisadores, a relação não é direta: o problema central está no acúmulo progressivo de gordura ao longo do tempo, consequência comum dos ciclos repetidos de dieta restritiva.

De acordo com a equipe responsável pelo estudo, a cada tentativa de emagrecimento rápido o organismo ativa mecanismos de defesa, reduzindo o gasto energético e favorecendo o armazenamento de gordura quando o peso é recuperado. No longo prazo, esse processo prejudica o metabolismo e aumenta o risco de doenças como diabetes e problemas cardiovasculares.

Os autores reforçam que o tratamento da obesidade não deve focar apenas no número da balança. A recomendação é investir em estratégias sustentáveis, que priorizem a redução do percentual de gordura, a preservação da massa muscular e mudanças de comportamento a longo prazo. Embora a gordura marrom possa ser estimulada por fatores como atividade física e redução da adiposidade, ela não é uma solução isolada para o emagrecimento, mas um importante aliado na saúde metabólica.

Tudo sobre

Leia também:

Escolha sua rádio