Carnaval e pets: especialista recomenda evitar blocos e aglomerações

Especialista do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro alerta que barulho, calor, glitter e espumas podem causar estresse, intoxicações e até hipertermia em animais durante a folia.
15/02/2026 às 12h12
 - Atualizado há 5 meses
Cachorro carnaval

A cena é comum durante a folia: tutores levando cães fantasiados para blocos e desfiles. Mas o que parece divertido pode representar sérios riscos à saúde dos animais. O alerta é do presidente da Comissão de Clínica Médica e Cirúrgica de Animais de Companhia do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro, Alexandre Guerra.

Segundo o veterinário, o mais sensato é não expor os pets a multidões, música alta e ambientes com excesso de estímulos. “Para nós, já não é saudável, imagine para eles”, afirmou em entrevista à Agência Brasil.

Barulho e estresse

Cães possuem audição muito mais sensível que a humana. Fogos de artifício, apitos, caixas de som e gritos podem provocar medo, crises de ansiedade e comportamentos agressivos. Em situações de estresse, há risco de fuga e até atropelamento, especialmente entre cães de pequeno porte.

Além disso, em ambientes lotados, aumentam as chances de confronto com outros animais. “A agressividade e o estresse podem estar presentes em qualquer raça”, reforça Guerra.

Calor e risco de hipertermia

As altas temperaturas também preocupam. Diferentemente dos humanos, os cães regulam a temperatura principalmente pela respiração. Exposição prolongada ao sol pode causar hipertermia, levando a desmaios e até à morte.

Outro ponto crítico é a alimentação. Durante os blocos, muitos tutores oferecem aos pets alimentos comprados em barracas de rua, o que pode causar intoxicações e problemas gastrointestinais.

Glitter, espuma e fantasias

O contato com glitter, espumas de carnaval e outros produtos químicos presentes nas festas pode provocar irritações na pele e nas mucosas. Como são curiosos, os animais podem ingerir pequenos adereços ou fios das fantasias, correndo risco de intoxicação ou obstrução intestinal.

Perfumes fortes, fumaça e cheiros intensos também causam desconforto, já que o olfato canino é extremamente apurado.

Para o especialista, fantasias específicas para pets também não são recomendadas, pois dificultam a regulação térmica e podem provocar alergias. Ao tentar retirar a roupa por incômodo, o animal pode acabar ingerindo partes do material.

Prioridade é o bem-estar

A recomendação é clara: o Carnaval é feito para pessoas. “Os donos devem considerar que é um período repleto de estímulos prejudiciais à saúde física e psicológica dos animais. A melhor opção é mantê-los em um ambiente seguro e tranquilo em casa”, orienta Alexandre Guerra.

Em meio à alegria da folia, o cuidado com quem não pode escolher onde estar deve vir em primeiro lugar.

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