Após 10 anos, proposta quer pôr fim gradual à torcida única nos clássicos

Documento prevê jogos-testes com visitantes e uso obrigatório de reconhecimento facial nos estádios
25/02/2026 às 14h36
 - Atualizado há 5 meses
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Foto: Reprodução SPFC

Uma proposta apresentada por um advogado ligado a torcidas organizadas quer rever a regra da torcida única nos clássicos em São Paulo, em vigor desde 2016. O documento, que será encaminhado à Polícia Militar, ao Ministério Público e à Federação Paulista de Futebol, sugere um fim gradual da medida, com jogos-testes que permitam a presença de torcedores visitantes de forma controlada. A ideia é avaliar se, com novas tecnologias e protocolos de segurança, é possível retomar a divisão de arquibancadas sem aumentar os riscos de violência.

A torcida única foi implantada pela Secretaria de Segurança Pública após confrontos registrados antes e depois de um clássico entre Palmeiras e Corinthians, que terminaram com um morto e dezenas de feridos. Desde então, a medida passou a valer para jogos entre os quatro grandes, Santos e São Paulo também estão na lista, além do clássico entre Guarani e Ponte Preta.

O novo projeto é assinado pelo advogado Renan Bohus da Costa, que atua na área de Direito do Torcedor e presta assessoria à Associação Nacional das Torcidas Organizadas. A proposta prevê que, inicialmente, visitantes ocupem até 10% da capacidade do estádio, com prioridade para sócios e integrantes cadastrados, mediante identificação prévia. Os testes ocorreriam apenas em arenas com reconhecimento facial, tecnologia que passou a ser obrigatória, desde junho de 2025, em estádios com mais de 20 mil lugares, conforme a Lei Geral do Esporte. A argumentação central é que a violência não foi eliminada, apenas deslocada para fora dos estádios, o que colocaria em debate a eficácia total da medida.

O documento cita como exemplos de divisão pacífica de torcidas jogos recentes da Supercopa Rei, como o duelo entre Corinthians e Flamengo, em Brasília, e a final entre São Paulo e Palmeiras, em 2023. A discussão ocorre em meio a debates recentes na Justiça paulista sobre ampliar a torcida única para confrontos nacionais, após episódios de violência fora dos estádios. Agora, caberá às autoridades de segurança e ao Ministério Público analisar se o modelo pode, de fato, ser revisto.

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