
Quando a escola pública vira passaporte para a universidade

A educação pública voltou a provar sua força. A E. E. Profª Maria Pia Silva Castro conquistou um resultado expressivo no Provão Paulista, com 29 estudantes aprovados já neste ciclo inicial. Mais do que números, o desempenho representa histórias transformadas, sonhos viabilizados e a confirmação de que a escola pública pode, sim, ser caminho direto para o ensino superior.
Para a comunidade escolar, o resultado simboliza a quebra de um ciclo histórico de desigualdades. Em um cenário em que muitos jovens ainda enxergam a universidade como algo distante, a escola mostrou que o acesso é possível quando há trabalho pedagógico consistente, acompanhamento próximo e uma rede de apoio que envolve toda a comunidade. “Cada aprovação é a validação de que o nosso trabalho diário está transformando a realidade do território. Para as famílias, é orgulho; para os alunos mais novos, é referência concreta de que o lugar deles também é na universidade”, destaca a diretora da escola, Elis Bento.
Educação como construção coletiva
O desempenho no Provão Paulista não foi fruto de uma ação isolada. Pelo contrário, nasceu de um esforço coletivo que envolveu professores, equipe pedagógica, funcionários, famílias e o suporte técnico da Unidade Regional de Ensino de Franca (URE).
A atuação próxima da dirigente regional, supervisores de ensino e professores especialistas de currículo garantiu alinhamento pedagógico e segurança nas decisões. Essa integração entre o “chão da escola” e a gestão regional criou a base necessária para que o ensino de qualidade florescesse. “Educar é um ato coletivo. Quando todos trabalham em sintonia, o resultado aparece”, reforça a gestão escolar.
Preparação estratégica e foco nos dados
A preparação dos alunos para o Provão Paulista foi marcada por planejamento e intencionalidade. Ao longo do ano, a escola adotou uma rotina rigorosa de simulados semanais, utilizando tanto materiais oficiais da Secretaria da Educação quanto blocos de questões elaborados internamente. O diferencial esteve na análise dos resultados. Durante as ATPCs, os professores estudavam os dados, identificavam dificuldades e ajustavam as aulas para trabalhar habilidades específicas. Foi um ciclo contínuo de diagnóstico e correção, que fez da avaliação uma aliada do aprendizado.
Professores como rede de apoio
Outro destaque foi o engajamento do corpo docente. A escola implantou um projeto de professores voluntários, que atuavam no contraturno ou em aulas livres, oferecendo reforço em Língua Portuguesa e Matemática. “Esse apoio presencial, com feedback em tempo real, fortaleceu o desempenho acadêmico e também o emocional dos estudantes, especialmente nos meses que antecederam a prova”, analisou Elis.
Autoconfiança e protagonismo juvenil
Mais do que conteúdo, a escola investiu em autoestima e protagonismo. Alunos participaram de olimpíadas do conhecimento, programas de intercâmbio educacional e visitas a instituições de ensino superior.
Parcerias com a FATEC, por exemplo, levaram o ensino técnico e tecnológico para dentro da escola. O impacto foi direto: a maioria dos aprovados ingressou justamente na FATEC, mostrando que conhecer a oportunidade é essencial para que o aluno acredite que aquele futuro é possível.
O Provão Paulista e a democratização do acesso
O Provão Paulista se consolidou como uma importante porta de entrada para o ensino superior, especialmente para estudantes da rede pública. Diferente de avaliações pontuais, o programa acompanha o aluno ao longo de todo o ensino médio, valorizando o esforço contínuo. Além do acesso às universidades públicas paulistas, o programa prevê auxílio financeiro para estudantes de baixa renda, ampliando as condições de permanência no ensino superior.
Um caminho que continua
Para a direção da escola, o maior orgulho é ver a transformação concreta da realidade das famílias. “Cada aprovação é uma semente de esperança. O nosso foco é o projeto de vida do estudante”, afirma a diretora.
A mensagem final é clara: quando dados, pessoas, propósito e acolhimento caminham juntos, a educação pública mostra sua potência. E o Provão Paulista se consolida não apenas como uma prova, mas como um instrumento real de equidade, oportunidade e futuro.

Confira a lista dos alunos aprovados:
- Abner Gabriel Seabra Soares
- Adriel Oliveira Tostes
- Adrielli Neves Silveira
- Ana Carolina Rodrigues Ferreira
- André Fernando De Souza
- Gabriel Porto Moscardini
- Isabela Cristina Da Silva
- Isabella Vitoria Genaro Dos Reis
- Italo Ribeiro Da Silva
- Jessica Araujo De Jesus Silva
- Joana Aparecida De Souza
- Joao Victor De Andrade Marques
- Livia Rodrigues Silva
- Lorena Kethelyn Barbosa
- Lucas Gabriel Ferreira Da Silva
- Luis Felipe Pereira
- Luis Gustavo Biasoli Rodrigues
- Maria Eduarda Silveira Terencio
- Matheus Miguel De Jesus Silva
- Micaella Dos Santos Garcia
- Rafaela Sousa Barros
- Ruan Gabriel Lima Riani
- Sarah Januario De Oliveira
- Stefani Figueirali Ribeiro
- Thainá Santiago Bastos Lima (USP)
- Thamyris Martins Pereira
- Thiago Zago Oliveira (Unesp)
- Victor Hugo Silva De Oliveira
- Ysabella Vitoria De Oliveira
Exemplo que inspira: o sonho que virou aprovação
A EE Angelo Scarabucci, também foi uma escola francana destaque, entre os seus aprovados, temos a histórias de Matheus da Silva Alves, de 18 anos, seu resultado ajuda a dimensionar o impacto do Provão Paulista. Filho de um sapateiro e de uma faxineira, estudante de escola pública em tempo integral e sem cursinho, Matheus foi aprovado em Medicina na USP de Ribeirão Preto, além de UNICAMP e UNESP. Tetramedalhista nacional da OBMEP, medalhista da OBA e ouro na ONC, ele define o resultado com uma palavra: alívio. “Foi a realização de um sonho de criança. Ao mesmo tempo, foi tirar um peso enorme das costas”, conta.
Para Matheus, o apoio da escola foi decisivo, não apenas no conteúdo, mas no cuidado com o emocional. “Manter o psicológico saudável é tão importante quanto estudar. Saber que existem pessoas que acreditam em você faz toda a diferença.”
A direção da E. E. Angelo Scarabucci, destacou o empenho e foco do Matheus. “É engraçado porque foi tudo medicina, porque o projeto de vida dele era medicina. Desde o sexto ano, desde o primeiro acolhimento dele, ele falou de medicina. Ou era medicina, ou ele não ia para nenhum lugar, ele ia trabalhar num atacadão”, revelou a diretora Roberta Gomes Fernandes.
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