Protesto expõe atraso em pagamentos e ameaça início do transporte escolar rural

Motoristas cobram salários de novembro e dezembro e aguardam posicionamento da Prefeitura de Uberaba ainda nesta terça-feira
27/01/2026 às 15h00
 - Atualizado há 6 meses

Motoristas do transporte escolar rural realizaram um protesto na manhã desta terça-feira (27) em frente ao Centro Administrativo para cobrar salários atrasados referentes a novembro e dezembro de 2025. O grupo reivindica pagamentos devidos pela empresa Gathi Gestão, que operava o serviço no ano letivo passado e teve o contrato rescindido após determinação judicial. Após reunião com a Secretaria Municipal de Educação (Semed), não houve definição imediata, e a Prefeitura informou que deve apresentar um posicionamento oficial às 14h.

A mobilização começou por volta das 10h15. Os manifestantes foram recebidos pelo secretário-adjunto Alexandre Lennon, por servidores da Semed, representantes da Gathi Gestão e membros da Câmara Legislativa. Segundo os trabalhadores, a falta de repasse tem causado insegurança financeira e pode comprometer o retorno das rotas já na próxima segunda-feira (2), uma vez que muitos dependem dos valores pendentes para abastecimento e manutenção dos veículos.

Durante a reunião, a Semed informou que os boletins de quilometragem rodados em novembro ainda estão em análise, o que impede a liberação dos pagamentos. Diante disso, a administração municipal afirmou que uma resposta será apresentada ainda nesta tarde.

Em nota, a Secretaria de Educação esclareceu que os motoristas são contratados pela Gathi em regime CLT e que, conforme alinhamentos com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o pagamento dos salários é obrigação da empresa. “Os atrasos registrados nos vencimentos deveriam ter sido regularizados pela Gathi, o que, até o momento, não ocorreu”, informou a pasta.

Sobre os valores referentes às quilometragens, a Semed explicou que os pagamentos dependem do envio correto dos boletins de rotas e das notas fiscais pela empresa. Segundo a Secretaria, a Gathi tem atrasado a entrega e a correção desses documentos, inclusive de rotas realizadas em novembro de 2025, o que trava a liberação dos recursos. Ainda assim, a pasta afirma estar mobilizada para pagar as rotas já conferidas, “sempre dentro da lei e com total transparência”.

Contexto do rompimento e nova contratação
Os atrasos cobrados envolvem o período em que o transporte escolar rural era operado pela Gathi Gestão. O contrato foi suspenso por decisão da 5ª Vara Cível, a pedido do Ministério Público, no âmbito de uma investigação que apura suspeitas de fraude no processo licitatório.

Em dezembro, a Justiça determinou a suspensão imediata do contrato e autorizou, para garantir a continuidade do serviço, a contratação da cooperativa Ubervan, que também participou do certame. Na decisão, foi apontada ainda a possibilidade de pagamento direto aos motoristas, sem repasse à empresa afastada.

A formalização do contrato com a Ubervan foi publicada no Porta-Voz na segunda-feira (26), com valor global de R$ 40,59 milhões, vigência inicial de 18 meses e previsão de 92 vans para atender a rede rural.

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