
Negócios lentos marcam a comercialização antecipada da nova safra de café

A comercialização antecipada do café brasileiro da safra 2026/27 segue em ritmo lento. Até o momento, cerca de 8% do potencial produtivo foi vendido, percentual inferior ao registrado no mesmo período do ano passado (9%) e bem abaixo da média histórica de 17%, segundo dados divulgados nesta segunda-feira pela consultoria Safras & Mercado.
De acordo com o consultor Gil Barabach, as negociações permanecem “arrastadas”, reflexo direto do atual cenário do mercado. Um dos principais fatores que explicam a cautela dos produtores é o chamado mercado invertido, em que os contratos futuros são negociados a preços inferiores ao café disponível. “O preço futuro permanece abaixo do físico imediato, o que desestimula a comercialização antecipada. Diante disso, o produtor limita o fluxo de vendas da safra nova e prioriza a negociação do café disponível”, avaliou Barabach.
Segundo o relatório, a diferença entre o preço do mercado físico e o da safra futura gira em torno de R$ 210 por saca, tornando pouco atrativa a fixação de preços antecipados para a próxima colheita, que será colhida ainda neste ano.
Enquanto a safra nova avança lentamente, a safra velha 2025/26 segue em processo de escoamento. Até o dia 20 de janeiro, aproximadamente 76% da produção já havia sido comercializada, um avanço de sete pontos percentuais em relação ao mês anterior.
Apesar da evolução, o ritmo ainda é inferior ao observado no mesmo período do ano passado, quando as vendas atingiam 85%, e também abaixo da média dos últimos cinco anos, de 79%.
O cenário reforça a postura mais cautelosa dos cafeicultores, que acompanham de perto o comportamento dos preços e aguardam condições mais favoráveis antes de avançar nas vendas da próxima safra.
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