
Fila do SUS cresce e pacientes esperam anos por atendimento especializado

O tempo de espera por consultas e cirurgias no SUS (Sistema Único de Saúde) continua sendo um dos principais desafios da saúde pública no Brasil. Dados do Ministério da Saúde e do Datasus indicam que pacientes aguardam, em média, quase dois meses por uma consulta com especialista e mais de dois anos por cirurgias eletivas, cenário que afeta diretamente estados populosos como São Paulo e Minas Gerais.
Em nível nacional, o tempo médio de espera por consultas especializadas chegou a cerca de 57 dias em 2024, o maior patamar registrado nos últimos anos. Já a fila por cirurgias eletivas ultrapassa 1,3 milhão de pessoas em todo o país, com crescimento expressivo após o período da pandemia. São Paulo e Minas Gerais concentram uma parcela significativa dessa demanda, justamente por atenderem grandes populações e receberem pacientes de outras regiões.
Entre as especialidades com maior fila estão ortopedia, oftalmologia (especialmente cirurgias de catarata), cardiologia, otorrinolaringologia e oncologia. Em alguns casos, a espera por procedimentos ortopédicos, como cirurgias de quadril e joelho, pode ultrapassar dois anos, dependendo da região e da oferta de serviços.
O Ministério da Saúde aponta que parte da dificuldade em reduzir as filas está relacionada à falta de integração total dos sistemas de regulação. Estados e municípios utilizam plataformas próprias, o que nem sempre permite um retrato completo e atualizado da fila nacional. Mesmo assim, os dados disponíveis mostram que São Paulo e Minas Gerais estão entre os estados com maior volume de pacientes aguardando atendimento.
Para enfrentar o problema, o governo federal tem ampliado programas voltados à redução das filas, como mutirões de cirurgias, ampliação de contratos com hospitais e uso da telessaúde. Especialistas alertam, no entanto, que a diminuição do tempo de espera depende de investimentos contínuos, melhor gestão da regulação e aumento da oferta de consultas e procedimentos, especialmente nas áreas mais demandadas do SUS.
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