
Crise no transporte acende sinal de paralisação e pressiona negociações

O transporte coletivo vive um momento de tensão após os trabalhadores do setor entrarem em estado de greve, decisão que aumenta o risco de paralisação caso não haja avanço nas negociações. A medida foi aprovada em assembleia do Sindicato dos Trabalhadores no Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de Uberaba (Sintracol) e comunicada à população por meio de carta aberta.
Segundo o sindicato, a decisão foi motivada por atrasos recorrentes no pagamento de salários, situação que tem impactado diretamente os trabalhadores e suas famílias. Apesar do alerta, a entidade ressalta que o estado de greve não significa paralisação imediata, mas funciona como um instrumento de pressão para abertura de diálogo.
A Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Uberaba (Transube) confirmou estar ciente da decisão e afirmou que a categoria pode paralisar caso haja novo atraso salarial. “O sindicato aprovou em assembleia o estado de greve, isso significa que podem parar caso ocorra atraso no pagamento”, afirmou ao Jornal da Manhã o presidente da entidade, André Campos.
Segundo ele, o principal entrave está no subsídio pago pela Prefeitura e na falta de definição sobre a tarifa técnica para 2026. “As empresas não têm como manter o sistema somente com a cobrança das passagens. Sem o subsídio, não tem como manter o sistema”, disse.
De acordo com a Transube, o pedido de revisão da tarifa técnica foi protocolado em dezembro de 2025, mas até o momento não houve resposta do Executivo. “Fizemos várias reuniões, mas não tivemos retorno. Também enviamos ofício ao Gabinete solicitando soluções e seguimos sem resposta”, relatou André Campos.
O presidente da associação destacou ainda o desequilíbrio financeiro do sistema. Em 2025, o subsídio municipal foi de R$ 16 milhões, valor que, segundo ele, ainda resultou em um déficit de aproximadamente R$ 4 milhões. Para 2026, com a queda no número de passageiros e o aumento dos custos operacionais, a estimativa é de que seriam necessários cerca de R$ 30 milhões em subsídio, caso a tarifa atual seja mantida. “É um valor insustentável”, avaliou.
A possibilidade de paralisação do transporte coletivo já havia sido apontada anteriormente pelo jornalista Wellington Cardoso, na coluna Falando Sério, diante da falta de sinalização do Executivo sobre a política tarifária e o subsídio para o próximo ano. Segundo informações, os próprios administradores das empresas estariam arcando com recursos para manter o serviço há cerca de dois meses, o que tem ampliado o desgaste no setor.
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Uberaba informou que o corpo técnico da Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob) já realizou as primeiras análises referentes à tarifa técnica do transporte coletivo e aguarda retorno das concessionárias para dar andamento ao processo.
Enquanto isso, o estado de greve mantém o sistema em alerta e coloca pressão sobre as negociações, em meio à preocupação da população com a continuidade do serviço.
Tudo sobre
graça no seu WhatsApp


