
Prefeito de Franca viaja aos EUA para discutir tarifaço que ameaça exportações de calçados e café

O prefeito de Franca, Alexandre Ferreira (MDB), embarcou nesta quarta-feira, 24, para os Estados Unidos em uma missão diplomática e econômica. Ele participa do Fall Leadership Meeting, promovido pela US Conference of Mayors, em Oklahoma City, representando a Frente Nacional de Prefeitos (FNP).
A agenda reúne gestores municipais brasileiros e norte-americanos para debater os efeitos do tarifaço de 50% sobre produtos importados do Brasil, imposto pelo governo de Donald Trump. As medidas atingem diretamente setores estratégicos, como o café e os calçados — que respondem por mais de 60% das exportações de Franca.
Segundo Alexandre Ferreira, a ideia é construir um documento conjunto com os prefeitos norte-americanos para ser encaminhado tanto ao presidente Lula quanto ao presidente Trump, pedindo a retomada das negociações e soluções que evitem prejuízos econômicos para os dois países.
“Esse aumento já está refletindo no bolso do consumidor americano. O café teve alta de 21% nas cafeterias, e um calçado que custava em média 32 dólares já chega a 47 dólares. É um impacto dos dois lados”, afirmou o prefeito.
Em Franca, o risco é imediato: empresas que exportam quase exclusivamente para os Estados Unidos acumulam estoques de milhares de pares sem destino. A estimativa é que até 12 mil trabalhadores possam ser afetados no polo calçadista. Além disso, o setor cafeeiro já registrou queda de 4% nas exportações entre junho e agosto, o que representa R$ 17 milhões a menos em receita.
“Estamos levando nossa experiência. Já sentimos crises parecidas em 2009 e na pandemia, quando a cidade perdeu dezenas de milhares de empregos. O que queremos é evitar que isso volte a acontecer”, destacou Alexandre.
O encontro também envolve os prefeitos Anderson Farias (São José dos Campos-SP) e Andrei Gonçalves (Juazeiro-BA), além de representantes da FNP. Cada cidade leva suas preocupações: a Embraer, em São José, depende do mercado americano para 70% das exportações; já Juazeiro tem na fruticultura seu principal motor econômico, com mais de R$ 130 milhões em vendas anuais aos Estados Unidos.
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