Ponte de Rifaina tem pilar comprometido e risco estrutural: impasse trava reforma

Vistoria revela buraco no concreto com ferro exposto na base da ponte entre Rifaina e Sacramento; MPF deve definir quem será responsável pela obra
10/04/2025 às 13h44
 - Atualizado há 1 ano
Foto tirada da lateral inferior de uma ponte de concreto, com vários pilares de sustentação sobre um grande corpo d’água. A estrutura apresenta iluminação pública com postes simples espaçados ao longo do percurso. O céu está parcialmente nublado e a luz do sol destaca tons alaranjados na lateral da ponte.
📸 Alberto Costa

Nesta quarta-feira, 9, engenheiros dos Departamentos de Estradas de Rodagem (DER) de São Paulo e Minas Gerais realizaram uma inspeção na ponte sobre a Represa Jaguara, que liga os municípios de Rifaina–SP a Sacramento–MG e encontraram problemas estruturais graves em um dos pilares da estrutura.

A vistoria foi solicitada pelo Ministério Público (MP) e, durante o processo, a equipe técnica encontrou um buraco no pilar que expôs a estrutura de ferro. Segundo Luis Fernando Figueiredo Freire, do DER-MG, o concreto já apresenta sinais de segregação do concreto e precisa de tratamento urgente.

A ponte, por onde passa a Rodovia Cândido Portinari (SSP-334) possui quase um quilômetro de extensão e está em uma espécie de limbo jurídico desde 2018, quando a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) foi privatizada. Desde então, nenhuma entidade assumiu oficialmente a responsabilidade pela manutenção da estrutura. A Engie, que atualmente administra a Usina Hidrelétrica de Jaguara, também nega qualquer vínculo com a ponte.

Foto aérea mostrando a parte superior de uma ponte longa e estreita atravessando um grande lago ou rio. A via tem pista simples, com marcas de faixa central amareladas e alguns postes de iluminação inclinados. Ao fundo, vê-se a cidade com prédios e montanhas ao longe sob um céu cinzento e neblinado.
📸 Alexandre Sousa Santos

Com o impasse, os DERs de ambos os estados afirmam que a estrutura não é de responsabilidade deles. Enquanto isso, as prefeituras de Rifaina e Sacramento seguem realizando apenas ações paliativas, como limpezas e reparos superficiais.

O prefeito de Rifaina, Wilson Júnior (PSD), informou que uma limpeza está programada para os próximos dias, além de possíveis reparos emergenciais, até que o Ministério Público Federal emita um laudo e decida quem deverá assumir a reforma definitiva da ponte.

Para a realização da vistoria, o nível da represa precisou ser reduzido — o rebaixamento previsto era de 60 centímetros, mas a queda chegou a cerca de um metro, permitindo a análise visual da base submersa da estrutura.

O laudo técnico gerado pela vistoria deve embasar uma ação do Ministério Público Federal, que além de avaliar os riscos à segurança da ponte, deve cobrar a definição sobre a responsabilidade legal pela manutenção e reestruturação da travessia. Enquanto isso, motoristas e moradores que dependem da via seguem utilizando uma ponte com sinais evidentes de deterioração.

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