
Polícia aponta excesso de velocidade em acidente com ônibus deixa 11 mortos e 36 feridos em Minas Gerais

Um grave acidente com um ônibus de viagem deixou 11 mortos e 36 feridos na MG-223, entre as cidades de Araguari e Tupaciguara, no Triângulo Mineiro, na madrugada de terça-feira, 8. Entre as vítimas fatais estão duas crianças. A Polícia Civil de Minas Gerais já identificou oito dos 11 mortos, segundo informou o delegado Luciano Alves dos Santos, durante coletiva realizada na quarta-feira, 9.
Das vítimas já identificadas, três foram reconhecidas por familiares e cinco, pelas impressões digitais. Em relação aos corpos que ainda aguardam confirmação, o delegado disse que já há nomes suspeitos, mas que a equipe espera a comparação das digitais com os bancos dos institutos de identificação de Goiás e São Paulo, onde as vítimas possuem registros civis.

Santos explicou que a maioria dos corpos foi encontrada sob o ônibus tombado. De acordo com ele, é provável que essas vítimas estivessem sem cinto de segurança no momento do acidente, informação que ainda será confirmada no laudo final da perícia. O delegado relatou que nove corpos estavam embaixo do veículo e só foram retirados com o uso de um guincho. Três foram removidos inicialmente e os demais estavam mais ao centro do ônibus, o que exigiu o destombamento completo do veículo para que pudessem ser acessados.
O motorista do ônibus, de 58 anos, sofreu ferimentos leves, foi ouvido pela polícia ainda na terça-feira, 8, e liberado em seguida. Ele afirmou em depoimento que viu um reflexo ou vulto na pista, tentou frear e acabou perdendo o controle da direção. O condutor disse ainda que fazia esse trajeto uma vez por semana e nunca havia se envolvido em acidentes graves.

Entretanto, passageiros relataram à polícia que o ônibus estaria em alta velocidade no momento do acidente. O veículo, segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), havia saído de Anápolis–GO às 20h30 de segunda-feira, 7, com destino a São Paulo, e tombou no trecho conhecido como “Trevo do Queixinho”. A ANTT informou que o ônibus possuía documentação regularizada para o transporte interestadual, incluindo o Seguro de Responsabilidade Civil, Certificado de Segurança Veicular válido e cronotacógrafo (um instrumento que registra a velocidade, a distância percorrida e o tempo de um veículo assim como as informações sobre o condutor, como o tempo de trabalho) devidamente aferido e habilitado, conforme a legislação.
Ainda segundo o depoimento do motorista, as rodas teriam batido no meio-fio durante a manobra de frenagem, o que provocou o tombamento. A Polícia Civil confirmou que a situação do veículo era regular e o ônibus havia sido fabricado em 2019/2020.

A empresa responsável pelo transporte, a Real Expresso, lamentou o ocorrido e afirmou que, desde o momento do acidente, equipes especializadas foram mobilizadas para prestar apoio às vítimas e aos familiares. Ela empresa também declarou que está colaborando com as autoridades e enviando toda a documentação solicitada, como o rastreamento do veículo, para auxiliar nas investigações.
O delegado destacou ainda que, assim que os corpos chegaram ao Posto Médico Legal, uma força-tarefa foi montada, e os laudos começaram a ser confeccionados imediatamente, com encaminhamento dos dados ao Instituto de Identificação em Belo Horizonte. Segundo ele, a investigação segue em ritmo acelerado e deve apontar, em breve, as causas exatas do acidente.
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