
Operação investiga banqueiros envolvidos no desvio de R$ 500 milhões de clientes

A Polícia Civil de São Paulo deflagrou na manhã desta quarta-feira, 23, uma grande operação para investigar crimes de fraude, desvio de recursos e ocultação de bens, envolvendo uma empresa do setor financeiro. Batizada de “Operação Floresta Devastada”, a ação cumpre 10 mandados de busca e apreensão em diversas localidades do estado e visa desmantelar um sofisticado esquema financeiro que envolvia movimentações patrimoniais fraudulentas, lavagem de dinheiro e a utilização de empresas de fachada.
O caso, que se arrasta há dois anos, começou a partir de uma denúncia feita ao Ministério Público, que apontava a prática de estelionato por parte da instituição financeira. Segundo as investigações, a empresa tentou, por meio de um pedido judicial fraudulento, proteger um grande volume de bens, estimados em centenas de milhões de reais, e movimentá-los para paraísos fiscais, como parte de uma estratégia para ocultar patrimônio.
A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 500 milhões dos investigados e autorizou o arresto de bens de alto valor, incluindo imóveis de luxo, obras de arte, veículos e joias. Além disso, foram apreendidos documentos, dispositivos eletrônicos e valores em espécie, todos visando coletar provas para reforçar a investigação. As buscas envolvem ainda diretores de empresas ligadas à instituição financeira, além dos responsáveis pelos bens ocultados em offshores no exterior.

A operação é uma ação conjunta entre as delegacias da 3ª Seccional (Oeste) da capital paulista e está em andamento. Até o momento, os policiais conseguiram acessar registros que comprovam a movimentação ilegal de recursos, envolvendo também outras empresas que participaram do esquema.
Entre os alvos da operação, estão os banqueiros Nelson Nogueira Pinheiro, fundador e ex-sócio do Banco Pine, além de Noberto Nogueira Pinheiro e Jaime Nogueira Pinheiro Filho, ambos sócios da MRCP Participações S/A, envolvidos em um esquema de desvio de recursos de clientes para uma offshore em Belize. As vítimas, que são empresários brasileiros, reportaram perdas que chegam a R$ 130 milhões devido à transferência ilegal de seus investimentos, que nunca foram devolvidos.
A família Pinheiro tem longa trajetória no sistema financeiro. Herdaram o banco BMC, vendido ao Bradesco em 2007, enquanto Nelson Pinheiro mantêm participação em diversas empresas, entre elas a Ducoco e a BRK Financeira — esta última alvo de liquidação extrajudicial pelo Banco Central no ano passado.
Segundo as investigações, o banco panamenho FPB Bank, ligado ao grupo dos Nogueira Pinheiro, transferiu os recursos sem o consentimento dos clientes para uma offshore em Belize, dificultando o rastreamento dos ativos. A operação também apura possíveis fraudes no processo de recuperação judicial de empresas do grupo, como a Brickell Participações S/A, e manobras de blindagem patrimonial.
A Polícia Civil segue investigando outras empresas e indivíduos ligados aos investigados, visando identificar mais envolvidos e recuperar os bens desviados.
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