Apesar de aumento na receita, dívida do Corinthians dispara e chega a R$ 2,5 bilhões

Déficit de R$ 181 milhões marca o primeiro ano da gestão Augusto Melo, que culpa herança da diretoria anterior e vê risco de nova crise política
19/04/2025 às 20h39
 - Atualizado há 1 ano
Visão panorâmica interna da Neo Química Arena lotada, durante jogo do Corinthians. O gramado está dividido com jogadores posicionados para o início da partida. As arquibancadas estão cheias de torcedores vestidos de branco e preto.
📸José Manoel Idalgo/Ag. Corinthians

Mesmo após registrar faturamento recorde de R$ 1,115 bilhão, o Corinthians encerrou o ano de 2024 com um rombo preocupante: déficit de R$ 181,7 milhões e dívida total de R$ 2,5 bilhões. Os números, divulgados no balanço financeiro do clube, revelam um aumento de R$ 600 milhões em relação ao ano anterior, acendendo o alerta no Parque São Jorge.

Do total, R$ 1,8 bilhão corresponde a dívidas diretas do clube, enquanto R$ 668 milhões estão ligados ao financiamento da Neo Química Arena. A auditoria independente que analisou os dados apontou “incerteza relevante sobre a continuidade operacional” do Corinthians, gerando repercussão interna e possível instabilidade política.

Apesar do resultado negativo, a diretoria comandada por Augusto Melo justifica o cenário como consequência de dívidas herdadas, que não teriam sido devidamente registradas por gestões anteriores. Entre os passivos revelados, estão impostos, execuções fiscais e processos trabalhistas. Só em contingências, os valores saltaram de R$ 10 milhões, em 2023, para R$ 163,9 milhões em 2024.

📸Reprodução

O clube ainda tenta mostrar um lado positivo: segundo o diretor financeiro Pedro Silveira, o Corinthians teve o maior resultado operacional (EBITDA) de sua história, com R$ 293 milhões, 44% a mais que no ano anterior. “Geramos mais dinheiro, mas ainda sofremos com os juros altos e passivos do passado”, argumenta.

📸Reprodução

A principal fonte de receita foi a venda de jogadores, com R$ 338,4 milhões, seguida por direitos de transmissão (R$ 295 milhões) e patrocínios (R$ 253,7 milhões). No entanto, as despesas com pessoal e gastos financeiros, sobretudo com juros, consumiram boa parte do caixa — foram R$ 279,1 milhões só com encargos da dívida.

O balanço agora será analisado pelos conselhos internos do clube. Se reprovado, poderá desencadear um novo processo de impeachment contra Augusto Melo. Já o ex-diretor financeiro Wesley Melo contesta os dados divulgados e acusa a atual gestão de tentar “sustentar narrativas unilaterais”.

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