Advogado acusado de racismo contra juíza é encontrado morto no interior do Rio

José Francisco Barbosa Abud estava suspenso da OAB e respondia por ofensas racistas a magistrada; corpo foi encontrado em casa, em Campos dos Goytacazes
30/04/2025 às 15h55
 - Atualizado há 1 ano
📸 Reprodução/Redes Sociais

O advogado José Francisco Barbosa Abud, que se tornou alvo de repúdio nacional após atacar com ofensas racistas a juíza Helenice Rangel Gonzaga Martins, foi encontrado morto no início da semana em sua residência, em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense. Ele tinha 43 anos e estava suspenso de suas funções pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

A Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte, que até o momento não teve causa confirmada oficialmente. O corpo foi localizado por familiares na casa onde ele morava sozinho.

Abud ganhou notoriedade após assinar uma petição com termos ofensivos e racistas direcionados à magistrada negra que indeferiu um pedido seu em um processo cível. No documento, ele se referiu a Helenice como “magistrada afrodescendente com resquícios de senzala” e citou “memória celular dos açoites”. Em outro trecho, escreveu que ela tomava decisões como “bonecas admoestadas das filhas das Sinhás das casas de engenho”.

📸 Reprodução/Perfil Brasil

As declarações, com conteúdo abertamente racista, foram repudiadas por entidades jurídicas e sociais em todo o país. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro classificou os ataques como uma grave violação ética e uma afronta à dignidade humana. A OAB do Rio de Janeiro chegou a pedir a exclusão definitiva de Abud dos quadros da advocacia, alegando conduta incompatível com o exercício da profissão.

📸 Reprodução/Redes Sociais

Além do conteúdo da petição, a juíza relatou que vinha sendo alvo de perseguição por parte de Abud desde 2023, quando ele passou a enviar dezenas de e-mails com ataques pessoais e acusações infundadas, após ajuizar uma ação pedindo a anulação de um testamento que envolvia sua própria mãe. A juíza então acionou judicialmente o advogado, com o apoio da Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (AMAERJ), que pediu o agravamento da pena pelo fato de o crime ser cometido contra uma servidora pública.

📸 Reprodução
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Se condenado, Abud poderia pegar até dois anos de prisão, além do pagamento de indenização.

A juíza Helenice não se pronunciou oficialmente desde a divulgação do falecimento. Entidades como o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) reforçaram que atitudes como as do advogado não devem ser toleradas sob nenhuma circunstância. A sociedade, segundo o CNJ, espera da advocacia e do Judiciário não somente conhecimento técnico, mas respeito, empatia e compromisso com os direitos humanos.

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