
Advogado acusado de racismo contra juíza é encontrado morto no interior do Rio

O advogado José Francisco Barbosa Abud, que se tornou alvo de repúdio nacional após atacar com ofensas racistas a juíza Helenice Rangel Gonzaga Martins, foi encontrado morto no início da semana em sua residência, em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense. Ele tinha 43 anos e estava suspenso de suas funções pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
A Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte, que até o momento não teve causa confirmada oficialmente. O corpo foi localizado por familiares na casa onde ele morava sozinho.
Abud ganhou notoriedade após assinar uma petição com termos ofensivos e racistas direcionados à magistrada negra que indeferiu um pedido seu em um processo cível. No documento, ele se referiu a Helenice como “magistrada afrodescendente com resquícios de senzala” e citou “memória celular dos açoites”. Em outro trecho, escreveu que ela tomava decisões como “bonecas admoestadas das filhas das Sinhás das casas de engenho”.

As declarações, com conteúdo abertamente racista, foram repudiadas por entidades jurídicas e sociais em todo o país. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro classificou os ataques como uma grave violação ética e uma afronta à dignidade humana. A OAB do Rio de Janeiro chegou a pedir a exclusão definitiva de Abud dos quadros da advocacia, alegando conduta incompatível com o exercício da profissão.

Além do conteúdo da petição, a juíza relatou que vinha sendo alvo de perseguição por parte de Abud desde 2023, quando ele passou a enviar dezenas de e-mails com ataques pessoais e acusações infundadas, após ajuizar uma ação pedindo a anulação de um testamento que envolvia sua própria mãe. A juíza então acionou judicialmente o advogado, com o apoio da Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (AMAERJ), que pediu o agravamento da pena pelo fato de o crime ser cometido contra uma servidora pública.


Se condenado, Abud poderia pegar até dois anos de prisão, além do pagamento de indenização.
A juíza Helenice não se pronunciou oficialmente desde a divulgação do falecimento. Entidades como o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) reforçaram que atitudes como as do advogado não devem ser toleradas sob nenhuma circunstância. A sociedade, segundo o CNJ, espera da advocacia e do Judiciário não somente conhecimento técnico, mas respeito, empatia e compromisso com os direitos humanos.
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