Pela primeira vez um detento que cumpre pena na Penitenciária de Franca (SP) quebrou o silêncio e falou sobre a atual situação do sistema prisional.
Cumprindo pena pelo crime de tráfico, ele ganhou benefício para passar o dia dos pais com o filho e a família e recebeu a equipe da Rádio Imperador AM e portal Pop Mundi.
Ele contou que o convívio na cela está complicado. O local que foi feito para abrigar 12 detentos hoje comporta cerca de 42. “É complicado, a gente dorme em dois num colchão de solteiro, isso quando não tem que ceder uma beirada para um terceiro preso”, disse.
Ouça a entrevista (Por motivos de segurança a voz do detento foi modificada)
A unidade prisional foi inicialmente construída como Centro de Detenção Provisória (CDP) e com capacidade de antedimento para 847 presos. Ainda durante a gestão do ex-governador, Geraldo Alckmin (PSDB), foi transformada em Penitenciária, porém não recebeu nenhum tipo de investimento e ou ampliação.
Os números não foram confirmados pela SAP, mas as informações dão conta de que a unidade atualmente teria o dobro da capacidade.
O que diz a SAP ?
Em nota, a Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) diz que com relação a superlotação "desde o início do Plano de Expansão de Unidades Prisionais a Secretaria da Administração Penitenciária já foram inauguradas 25 unidades e outros 10 presídios estão em construção"
A pasta ainda acrescenta que outra medida que vem sendo estudada é "a formatação de uma Parceria Público Privada (PPP) inédita no Estado de São Paulo, que ampliará o número de vagas com mais celeridade".
Questionada quanto a falta de comida e água na unidade de Franca, a SAP, informou que "todas as refeições, tanto as servidas para presos como as consumidas pelo corpo funcional, em todas as unidades prisionais do Estado, são devidamente supervisionadas por nutricionistas. A alimentação é balanceada e produzida dentro das normas de saneamento. O cardápio também é previamente estabelecido, com cereais (arroz, trigo, fubá, etc), carne bovina, carne de frango, macarrão, feijão, frutas, legumes e verdura, etc e respeita a legislação vigente. Na Penitenciária de Franca, o preparo e acondicionamento em marmitas individuais das refeições são realizados pelos próprios presos, sob a fiscalização e controle de Agentes de Segurança Penitenciária".
O órgão ainda nega que tenha falta de água para atendimento e que "os detentos do sistema prisional paulista têm acesso à água para consumo e para as necessidades básicas de higiene coletiva e pessoal. Além disso, esclarece que não há falta de água nos presídios paulistas, mas uso racional para consumo consciente de recursos hídricos em toda a unidade prisional, não somente nas carceragens".